O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 07/09/2018
A primeira geração do Romantismo brasileiro exaltou a figura indígena como símbolo da identidade nacional. Todavia, o índio como herói do Brasil da literatura é apenas idealizado, e, hodiernamente, é visto sob um viés estereotipado e não como membro do corpo social. Sob essa ética, é preciso mitigar as bases dessas problemática, que envolvem sobretudo a violência histórica e a busca pelo lucro que fere o direito desses povos.
Diacronicamente, os povos indígenas sofreram com a repressão à sua cultura e seus costumes. Nesse contexto, durante o Período Colonial do Brasil, a visão eurocentrista dos colonizadores foi responsável por construir uma imagem que relacionava os índios a selvagens, e, portanto, indivíduos a se civilizar. Dessa maneira, indo de encontro à “teoria de Habitus” do filósofo Pierre Bourdieu, a história de uma nação é capaz de moldar as ações sociais do amanhã. Nesse ínterim, a cultura histórica de desrespeito e violência à dignidade humana desses grupos, perpetuou ao longo das gerações brasileiras , e, desse modo, reflete no preconceito e na exclusão do hoje.
Outrossim, a Carta Magna de 1988 ressalta quye é responsabilidade da União garantir e proteger o direito dos índios à cultura, aos costumes e às suas terras. Contudo, a expansão da fronteira agrícola e o grande interesse de empresas mineradoras em ampliar seu espaço lucrativo, além da posição inerte do Poder Público, têm usurpado os direitos constitucionais dos povos indígenas ao não respeitarem a demarcação de terras. Dessa forma, reafirmando o sociólogo Karl Marx, o capitalismo de fato prioriza os lucros em detrimento de valores, o que contribui para um cenário de negligência e exclusão dos índios.
Nessa perspectiva, é preciso destruir os esteriótipos e garantir a cidadania desses indivíduos. Desse modo, a Receita Federal deve disponibilizar maiores recursos para que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e o Ministério Público invistam em postos de fiscalizações, de modo a impedir a expansão do capitalismo sobre às terras indígenas, e, assim, garantir e proteger seus direitos e tradições. Concomitantemente, o Ministério da Educação deve investir em propagandas nas mídias sociais que mitiguem a imagem estereotipada da sociedade, mostrando a cultura e a importância desses povos na construção da identidade brasileira. Nessa conjuntura, avanços serão obtidos para fazer jus à poética indianista do Romantismo.