O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 04/09/2018
Segundo a Constituição de 1988, os índios têm direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam e sua cultura é reconhecida. Contudo, isso não é observado na prática, uma vez que o índio é cada vez mais desvalorizado na sociedade hodierna. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão os principais fatores relacionados a essa problemática, destacando, principalmente, a PEC 215 e o preconceito causo pelo etnocentrismo.
A Proposta de Emenda Constitucional 215 corrobora a desvalorização do índio na atualidade, visto que propõe a demarcação das terras indígenas. Essa decisão seria feita pela bancada ruralista, composta por latifundiários que possuem interesse econômico naquelas regiões e, desta forma, os indígenas ficariam, indubitavelmente, sem lar e reduzidos à animalização. É a perfeita exemplificação da frase ‘’A ignorância é maravilhosa’’, do filme Matrix, pois quando a elite ruralista se mantém ignorante aos direitos dos aborígenes, ela é extremamente beneficiada e, à vista disso, não quer abdicar dessa posição ‘’maravilhosa’’. Tal fato dificulta o reconhecimento dos índios na sociedade.
Além disso, o etnocentrismo agrava a situação. Apesar de os europeus terem colonizado o Brasil e subjugado os indígenas há mais de 500 anos, a visão etnocêntrica de que o índio é inferior ainda prevalece, o que causa preconceito e discriminação social. Segundo o site G1, em 2015, uma mulher paraense se recusou a compartilhar um veículo com grupo de índios que retornava a sua aldeia por considerá-los selvagens. Subsequentemente, o grupo foi expulso do automóvel, explicitando, portanto, o preconceito causado pelo etnocentrismo.
Dessarte, a problemática precisa ser resolvida. É dever de todo cidadão, por uma questão de ética, lutar contra a PEC 215, por meio de manifestações populares e votações on-line que exijam que a FUNAI -órgão que preza o direito dos índios - seja a responsável por demarcar as terras indígenas. Assim, a distribuição justa de terras será possível. Ademais, o MEC e as escolas deverão trabalhar em conjunto para coibir o etnocentrismo, através aulas que exaltem a rica cultura dos aborígenes e mostrem, de forma alarmante, a luta que eles vivem há séculos. Com isso, esse povo passará a ser visto com mais igualdade e empatia e o preconceito cessará. Quem sabe, assim, seja possível resolver a questão indígena no Brasil.