O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 07/09/2018

No livro “O Guarani”, uma das obras do escritor José de Alencar que marcou a 1ª fase do Romantismo no Brasil, o índio é retratado como um valente herói. Entretanto, cerca de dois séculos depois essa ideia foi totalmente dissolvida, prevalecendo uma perspectiva etnocêntrica, que caracteriza um estereótipo de inferioridade sobre os indígenas. Desse modo, a situação do índio no mundo contemporâneo baseia-se na busca pela sobrevivência, sendo marcada por intensos conflitos, os quais são gerados pela falta de respeito pelas leis de demarcação de terras e pelo preconceito promovido pela ignorância.

Primeiramente, é importante ressaltar que desde a chegada dos primeiros colonizadores os indígenas tiveram seu espaço tomado. De acordo com Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a população indígena, hoje, corresponde a apenas 0,5% da população brasileira. Essa situação é consequência não apenas das doenças trazidas da Europa no século XVI, mas também da violência exercida pelos colonos na busca pela posse de terras. Por esse motivo, ainda hoje, os índios lutam pela demarcação de seu território, situação essa, que apesar de prevista pelo Estatuto do Índio, ainda gera muitos conflitos.

Ademais, é evidente que a visão estereotipada da população brasileira sobre o índio colabora para  a desvalorização da cultura desses. Isso se dá, pois, a ideologia predominante é a de que o povo indígena é inferior e primitivo, menosprezando a história e os costumes de toda uma civilização, o que tem como consequência um cenário de exclusão social e cultural. Dessa maneira, torna-se evidente que pelos valores do povo brasileiro, esse grupo não é considerado parte da nação, assim como não são portadores de direitos civis.

Portanto, faz-se necessário que os costumes do índio brasileiro sejam preservados. Desse modo, é dever do Ministério público, junto à FUNAI, promoverem a efetivação das demarcações de terra, investigando as denúncias contra invasores e garantindo a segurança dos povos nessas áreas, com intuito de que a lei seja devidamente cumprida e os que a violarem sejam punidos. Além disso, é de suma importância o papel do Estado e das escolas para que eliminem a visão etnocêntrica, promovendo aulas, debates e palestras sobre a importância da preservação desses povos e difundido o conhecimento sobre essa rica cultura, a fim de acabar com a ignorância e o preconceito.