O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 03/10/2018

Na tão lembrada carta de Pero Vaz de Caminha, o escrivão contava sobre a presença de um povo que, sob os olhares europeus de soberania, precisava ser civilizado: os índios. Esse contato com o homem branco trouxe como consequência um processo de aculturação. Contudo, ao atingir o ideal europeu de civilização, ainda assim foi segregado, marginalizado e continua, dia após dia, sendo dizimado. Dessa forma, sabe-se que a questão agrária aliada à sobreposição de tradições agrava essa problemática.

Em primeira análise, é necessário encarar o fato de que os aborígenes ainda hoje têm de lutar pela terra. Isso porque a bancada ruralista vem tomando terras indígenas para alocar sua atividade comercial - diretamente ligada aos interesses de latifundiários. A evidência disso está na aprovação da PEC 215, a qual é considerada um retrocesso por permitir a retirada da homologação das terras indígenas. Tendo isso em vista, inúmeros povos são expulsos de suas propriedades ou mortos em decorrência da desenfreada expansão agrícola e até da construção irregular de usinas hidrelétricas como a de Belo Monte. Essa situação, logo, ratifica a situação precária e desigual dessa população quando se refere a terras e à necessidade de mudanças.

Além disso, a cultura desses habitantes está em segundo plano em detrimento dos costumes dos homens brancos. Essa inferiorização está presente em diversos âmbitos, como no educacional, uma vez que as escolas não ensinam a história e as tradições indígenas, que, por sua vez, possui apenas a visão europeia. Tendo como consequência a compreensão romantizada, idealizada e retrógrada que boa parte dos brasileiros possuem, visto que muitos ainda consideram que esse grupo étnico não utiliza tecnologia e é isolado. Nesse contexto, o meio social desenvolve a desvalorização da sabedoria deles e corrobora para a permanência de uma concepção de mundo colonial.

Torna-se necessária, portanto, a adoção de medidas que visem mitigar esse celeuma. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, com o auxílio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), acelerar o processo de marcação de terras de modo que todos os lados envolvidos sejam favorecidos, proibindo sua revogação e o colocando como prioridade nos processos judiciais. Ademais, é essencial que o Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, promovam oficinas e projetos nas escolas e em praça pública, com o fito de ampliar o conhecimento e a manutenção da cultura indígena.