O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 26/07/2018

“Ó guerreiros da taba sagrada, ó guerreiros da tribo tupi, falam deuses nos cantos do piaga, ó guerreiros meus cantos ouvi”. Versos da obra do romancista Gonçalves Dias, o canto do Piaga já explora inicialmente a exaltação ao índio que, naquele período, teve destaque como o herói nacional. Todavia, embora exaltado pela geração indianista, os índios compõem uma categoria de desprivilegiados na sociedade brasileira, seja por esta manter estereótipos pregados pelos colonizadores, seja pela pouca eficiência no combate a violação dos seus direitos.                                      Primeiramente, é preciso considerar que a dominação portuguesa sobre a cultura indígena fez com que, já nos primeiros contatos, um grupo se sobrepusesse ao outro de tal maneira que a população dominada perdesse autonomia, sendo forçada a aceitar costumes e crenças alheias. Nesse sentido, é possível observar ainda hoje a perpetuação de tal dominação, como na oficialização da língua portuguesa – sendo a dos nativos consideradas dialetos – ou na própria composição cultural do país, que é regida por comportamentos europeizados – enquanto boa parte das tradições indígenas se limitam ao folclore -. Além disso, a caracterização do índio que é repassada às crianças nas escolas, como seres selvagens que se pintam e pouco se vestem, cria uma imagem estereotipada e preconceituosa dos nativos que, mesmo após anos, é pouco refutada.

Por outro lado, sabe-se que foi conseguido, pelos dirigentes da FUNAI, a demarcação de terras indígenas sobre proteção do Estado, processo recente, mas que já tem contado com vários empecilhos em seu caminho. Isso porque, com o avanço do agronegócio no território nacional, muitos latifundiários – incentivados por alguns membros da bancada ruralista – buscaram expandir suas atividades comerciais e, para isso, invadiram vários dos territórios demarcados. Não à toa, o país registra altos índices desses ataques em unidades que se concentram no Norte, principalmente pela dificuldade de fiscalização que se soma à pouca eficácia das leis no combate à problemática. Dessa forma, evidencia-se o quanto essa população ainda sofre com as desvantagens do processo colonial e do quanto necessitam de apoio para manterem seus descendentes e suas tradições.

Diante do exposto, é interessante que os cidadãos, como voluntários, se associem às ONGs e ao Serviço de Proteção aos Índios, na tentativa de intensificar as medidas de interdição da exploração predatória dos recursos e das terras indígenas, contando com mais segurança e fiscalização. É imperativo, ainda, que o corpo Legislativo torne as leis contra invasão um processo inafiançável, a fim de enrijecer as punições. Por fim, caberá, também, ao Estado, a promoção da autossustentação e o desenvolvimento das comunidades, a fim de garantir a sobrevivência e a liberdade desses povos.