O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 20/07/2018

Durante a segunda fase do Modernismo, houve um período de reconhecimento do nativo brasileiro como principal personagem nacionalista. Porém, tal mérito não é dado na conjuntura atual, haja vista a invisibilidade da questão indígena no Brasil. Em suma nota-se que isso ocorre propositalmente, devido ao preconceito cultural sofrido por esse povo e os embates políticos que sua luta pelo direito a terra traz.

Em primeiro plano, é importante enfatizar como etnocentrismo está intrínseco na sociedade brasileira há décadas. Essa expressão, de cunho pejorativo, é utilizada para se referir a uma etnia que por não ter os mesmos hábitos e caráter social, discrimina outra, julgando-se melhor. Destarte, esse sentimento de superioridade inicia com a chegada dos portugueses a terra tupiniquim, trazendo suas imposições religiosas, culturais e noções de propriedade que era totalmente redundantes para realidade indígena. Desse modo, para os nativos sempre foi imposto uma cultura que não era sua, por serem caracterizados no estereótipo de não civilizados, que ainda vigoram na modernidade.

Nesse contexto, é que ocorre a luta indígena por demarcação territorial. Assim, mesmo esse direito sendo resguardado pela Constituição Federal de 1988, a ocupação de terras gera atrito com grandes latifundiários, que sentem-se lesados e assassinam populações de nativos como forma de represália. Como ilustração desse triste quadro, o documentário “Martírio” mostra como gerações nativas sofrem com esse problema, e como nessas áreas a Justiça é ineficaz. Torna-se evidente, portanto, que o preconceito é histórico e que ineficácias do Estado fazem com que esse grupo sofra grandes perdas. Em um contexto de comunidades indígenas, urge ao Poder Legislativo juntamente com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), a criação e a aprovação de projetos de lei que visem a efetiva punição de todo e qualquer indivíduo que não respeite a integridade física indígena, por meio do Poder Executivo, visando a proteção dos cidadãos como previsto no quinto artigo da Constituição Federal. Ademais, como já dito pelo filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Logo, é dever o Mistério da Educação, a criação de palestras ministradas por antropológicos, a fim de reforçar a pluralidade étnica brasileira. Desse modo, será possível que o ideal Modernista do índio seja válido hodiernamente.