O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 18/07/2018

No romance brasileiro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do autor Lima Barreto, o protagonista da narrativa se aprofunda no estudo da cultura indígena e acaba por reconhecer o grande valor desse povo. No entanto, essa admiração e respeito da personagem aos índios não é constatada na realidade. Hodiernamente, essa questão entrou em discussão no Brasil, seja pelos conflitos que permeiam a demarcação de terras ou seja pelo processo da aculturação sofrido por essa minoria.

Primeiramente, convém destacar os obstáculos que impedem a garantia dos índios às terras. Segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, “O homem é o lobo do homem’’. No contexto social do século XXI, no qual as relações capitalistas de produção são cada vez mais pautadas pelo lucro, o grande desejo dos agricultores de obtê-lo associado à sua falta de empatia pelos indígenas leva à violação das demarcações e, portanto, mostra como o próprio ser humano pode prejudicar outro, como já afirmava Hobbes. Como consequência, esses conflitos causam, por vezes, a morte de pessoas desse povo.

Além disso, também é importante destacar o legado histórico-cultural da formação dos índios. Desde o século XV, com o início do processo colonizatório brasileiro, a imposição da cultura do colonizador por meio da opressão nos âmbitos cultural, religioso e linguístico, somada ao desejo de exploração dos recursos da nova terra resultou no processo de aculturação dessa minoria. Esse modo de agir, no entanto, ainda se faz presente hodiernamente e, por conseguinte, gera uma inferiorização dessa parcela da população de forma preconceituosa. Dessa forma, até mesmo os seus direitos constitucionais - direitos como educação, moradia e participação política - são violados.

Portanto, diante dos conflitos que permeiam as demarcações das terras indígenas e do descaso sofrido por esse povo, medidas precisam ser tomadas. O Poder Judiciário deve propor uma política pública de melhora da fiscalização das terras que pertencem aos índios, contratando mais funcionários para a FUNAI por intermédio de concursos públicos, a fim de evitar a invasão ilegal praticada pelos fazendeiros. Ademais, ONG’s que defendam os direitos dessa minoria devem visitar os locais onde vivem essas pessoas se certificando que eles possuem todos direitos essenciais garantidos pela constituição, levando assim, à condições de vida melhores para essa parcela da população.