O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 16/07/2018
Um Estranho no Ninho.
No limiar do século XXI, observa-se que há uma desvalorização do povo indígena no Brasil. Nesse sentido, sabe-se que existe um contínuo preconceito acerca desses povos. Ainda nessa perspectiva, nota-se que os conflitos pelas terras desses grupos se intensificam ano após ano.
A primeira geração do Romantismo Brasileiro, ficou conhecida como ‘’Indianista’’, pois esta constantemente tratava do aborígene como um ‘’bom selvagem’’, o herói brasileiro. Da ficção literária do século XIX ao panorama moderno, a visão quanto ao nativo pouco se modificou, pois boa parte da sociedade ainda o vê como um grupo que apenas caça, pesca, usa pinturas e anda nu. Dessa forma, faz-se necessário a desvinculação desses estereótipos, e como bem pontuado pelo filósofo Mário S. Cortella, entender que a cultura pode se adaptar.
Vale salientar, ainda, que a expansão agrícola e a busca por áreas de exploração, tem dificultado a manutenção de territórios indígenas. A título de exemplificação, dados da FUNAI demonstram que, de 1969 a 2016, cerca de 50% dessas regiões foram ocupadas para fins lucrativos, como mineração e agricultura. Como produto dessa realidade, essa camada social se vê desvinculada de suas terras e estranhos a vida nas grandes cidades, fator que coloca a isonomia democrática em xeque.
Parafraseando o político Clement Attlee, a democracia é o poder da maioria, se a minoria for respeitada. Partindo dessa égide, para resolver a problemática do desrespeito ao índio no Brasil, é condição ‘’sine qua non’’ que o Estado, em seu caráter abarcativo, insira a gestão participativa entre os legisladores e os grupos autóctones, possibilitando a discussão de propostas e o encaminhamento de reinvindicações. As escolas, por meio de aulas e palestras, devem elucidar a importância dessa cultura, induzindo seus alunos a clarificação dessas questões. Ademais, a mídia, através da indústria cultural, deve promover um exercício de empatia com a coletividade, tornando a população ciente de suas raízes. Com tais medidas, o índio da ‘’terra de palmeiras e sabiás’’ poderá deixar de ser um estranho em seu próprio ninho.