O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 13/06/2018

Ninguém mais se importa com O Guarani

A primeira geração romântica brasileira é marcada pelo índio como figura heroica, a ser valorizada e exaltada. Entretanto, o panorama atual descartou completamente esse ponto de vista, marginalizando-o e negligenciando-o, em função do avanço do agronegócio e da fragilidade do órgão de proteção ao índio.

Em primeiro plano, um dos pilares da economia brasileira é a soja. Esta, é financiada pelo agronegócio que exige exponencialmente mais porções de terra. Porém, as terras de interesse estão reservadas aos indígenas e seguradas por lei, gerando uma série de conflitos e manifestações - como ocorrido em abril de 2017, a invasão de cerca de 2000 indígenas no congresso pedindo “demarcações já”- uma vez que as demarcações reduzem cada vez mais com a expansão do agronegócio.

Além disso, destaca-se que em dois anos, houve a mudança de 3 presidentes da FUNAI (Fundação Nacional do Índio, responsável pela proteção e promoção de direitos dos indígenas) por não atenderem aos interesses dos ruralistas que os indicaram. Sendo assim, a defesa desses grupos se mostra instável, principalmente por grandes ruralistas mediarem as ações sobre essas terras - por exemplo o “rei da soja”, Blairo Maggi - e coordenarem as decisões do congresso a seu favor.

Desse modo, percebe-se que com o sistema brasileiro corrompido por interesses particulares, os índios tendem a perder o que lhe é por direito, o Brasil. Logo, é necessário uma reforma governamental contra os que se beneficiam de seu poder e os substitua por pessoas competentes através de investigações mais centradas e novas votações - a partir de evidências encaminhadas pelos cidadãos à Mesa Diretora. Ademais, o órgão responsável pela eleição do presidente da FUNAI deve ser criterioso em relação ao passado do candidato e sua preocupação com o social, antes de assumir o cargo. Assim, quiçá O Guarani volte a ser valorizado, não necessariamente como herói, mas como pessoa.