O indígena brasileiro em foco na atualidade
Enviada em 04/06/2018
A carta de Pero Vaz de Caminha ao retratar a chegada dos portugueses ao Brasil, descreve o encontro de duas realidades distintas: o ideário social europeu e a forma natural e simples do nativo. Todavia, a postura de superioridade dos colonizadores prevaleceu até os dias de hoje. Em razão disso, a soberania do homem branco ainda está enraizada na sociedade brasileira. Nesse sentido, combater essa visão etnocêntrica, é fundamental para que a cultura indígena seja valorizada como um importante elemento na formação do país.
Em uma primeira abordagem, observa-se que os povos indígenas são discriminados até os dias atuais. Isso porque a visão estereotipada idealizada pelos colonizadores de que se tratavam de habitantes selvagens e destituídos de autonomia, fez com que muitas crenças e costumes fossem desconstruídos ou modificados. Prova disso, é o fato dos índios serem vistos como um obstáculo para o desenvolvimento do Brasil, já que, muitas vezes, são removidos à força de suas terras, para darem espaço à exploração mineral, construção de hidrelétricas ou atividades agropecuárias. Nessa lógica, o índio brasileiro ainda é marginalizado e tem a própria cultura subjugada aos interesses econômicos.
Outrossim, há uma ausência de estudos mais aprofundados sobre a cultura indígena nas escolas. Segundo Foucault, a produção, a acumulação, a circulação de um discurso sólido e convincente são necessários para que o poder não desmorone. Nessa perspectiva, mesmo com a existência de livros de história que tratam da temática, a formação de uma imagem negativa do índio, deve-se, em grande parte, a um discurso reprodutor de estereótipo. Assim, inúmeras referências didáticas reforçam, somente, os colonizadores, imigrantes ou bandeirantes como fonte simbólica da nacionalidade brasileira. Desse modo, um ensino unilateral da história, pode conduzir à construção de verdades.
Portanto, é essencial proporcionar uma ruptura desse etnocentrismo e de muitos outros conceitos cristalizados em relação à cultura indígena. Nesse viés, o Ministério da Educação deve reformular o currículo escolar recorrendo a inserção de palestras e debates sobre as leis que asseguram os direitos indígenas, a fim de privilegiar, não apenas os costumes e as crenças, mas a questão atual do índio na comunidade. Além do mais, em parceria com o Ministério da Cultura, promover eventos sobre a contribuição desses habitantes para a nação, com o intuito de desconstruir a visão egocêntrica que muitos possuem no que diz respeito à outras culturas para a renovação dos conceitos já existentes. Dessa forma, o índio poderá ser compreendido na sua singularidade e pluralidade.