O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 01/06/2018

Ordem e Regresso

No século XIX, o momento literário brasileiro, ficou marcado pelos romances indianistas em que a figura do nativo era tratada de forma heroica e idealizada. No entanto, fora da ficção, tal situação mostra-se contrária. No Brasil, atualmente, isso se evidencia não só na ineficiência dos mecanismos de proteção, mas também, nos preconceitos enfrentados por essa comunidade.

Ainda que haja a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, é notório que esses não são efetivos. Prova disso, é o não cumprimento de medidas impostas, a começar pela dificuldade no reconhecimento de terras pela justiça, haja vista que os processos demonstram-se complicados e, quando aceitos, inúmeras atrocidades são cometidas por aqueles insatisfeitos com a decisão, como é o caso de inúmeros índios feridos em confronto com fazendeiros no Maranhão em Maio de 2017. Ademais, as reservas indígenas, até então protegidas pela declaração, encontram-se submetidas à constantes explorações ilegais, além de serem ocupadas por agricultores e latifundiários, prejudicando o lar e fonte de sustento desses povos.

Além disso, o desrespeito tem ido além da mata, atingindo a sociedade por meio de pensamentos etnocêntricos. O presidente da Organização dos Índios da cidade de Boa Vista, afirma que isso ocorre, porque muitas pessoas consideram que a cultura aborígena é inferior à sua, alegando que os seus costumes não deveriam ser considerados como parte do patrimônio nacional. Como causa desses hábitos, a extinção de determinadas tribos tornam-se realidade, conforme ocorreu com os Jumas, índios da Amazônia. Assim, nota-se que a incompreensão dos valores são culturais e expressam-se através de discriminação e opressão, resultando em diversas vítimas, fator esse que precisa de ações urgentes.

Fica evidente, portanto, a necessidade de resguardar a valorização dos primeiros habitantes do país. Para isso, é fundamental que o Ministério da Justiça intensifique a fiscalização do cumprimento das leis de proteção ao nativo, através da prisão e divulgação de envolvidos, independentemente de sua posição social, servindo de exemplo para a exclusão de demais casos. Cabe também, que o Ministério da Educação em consonância com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), promovam campanhas divulgadas na mídia, incentivando o respeito e a tolerância com as diferenças encontradas em todas as culturas, de forma a garantir a manifestação de seus hábitos, tornando-se assim, um patrimônio brasileiro preservado. Para que dessa forma, as próximas gerações, reconheçam o valor dos povos, assim como nós, ao regressarmos na história literária.