O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 26/06/2018

Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro contemporâneo, na obra “O Povo Brasileiro”, relata a deculturação, exploração e genocídio que acometeram o contingente indígena, em consequência do empreendimento colonial português, transplantado no Brasil no século XVI, o qual sustententou-se em uma ótica etnocêntrica e mercantil. Nesse sentido, os entraves ao bem-estar indígena, hodiernamente, encontram-se arraigados a uma predisposição histórico-cultural, intrínseca à gênese nacional, de marginalização e inferiorização desse grupo. No espectro prático, tal fato é corroborado pela ineficiência governamental e pela falta de compromisso social.

Deve-se pontuar, mormente, que a Constituição Cidadã, promulgada em 1988 sob um viés democrático e inclusivo, prevê a responsabilidade do poder público em ofertar, aos povos indígenas, condições de vida isentas de quaisquer tipicidades violentas e degradantes à integridade física e à sobrevivência cultural da classe. Nessa lógica, observa-se uma tutela estatal insatisfatória do grupo em questão, já que esse é lesado, impunemente, pelas elites agrárias, que expropriam-no e nefastam a plenitude ambiental das terras que ocupam ou pertenceram-no, originariamente. Aliado a isso, destacam-se a inacessibilidade à educação diferenciada, seguridade social e serviços de saúde, o que cerceia as oportunidades dos índios e vulnerabilizam-nos. Desse modo, há um contraste negativo com o pensamento de Aristóteles, filósofo da Antiguidade, em que o indivíduo desigualado, ao ser tratado especialmente, poderia gozar da justiça social.

Convém-se ressaltar, também, que a falta de envolvimento do coletivo social com a situação contribui para o avanço dos impedimentos vinculados a ela. Essa conjuntura possui respaldo na análise antropológica de Darcy Ribeiro, que ratifica o descaso que a classe dominante, em suma, detém pelas mazelas das minorias. Por conseguinte, com a escassez de anseio civil, os problemas que a comunidade indígena enfrenta, cotidianamente, progridem, mantendo a exclusão e invisibilidade dessa.

Torna-se evidente, portanto, que o caráter cultural vigente potencializa os atos inconstitucionais. Logo, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo Federal, direcione projetos a serem desenvolvidos pelas escolas, mediante subsídio estatal e apoio acadêmico. Esses devem ter por fulcro a conscientização quanto a importância do Índio para a identidade nacional multicultural e sua fragilidade em frente aos impasses circundantes. Dessa forma, ao aumentar a mobilização que vise à resolução da problemática fatídica, é possível reverter o sofrimento dos autóctones, narrado por Darcy Ribeiro.