O indígena brasileiro em foco na atualidade

Enviada em 12/05/2018

A Primeira Geração do Romantismo brasileiro, também conhecida como “indianista”, caracterizou-se pela valorização do índio como um herói nacional, figura culturalmente marcante da nação canarinha. Entretanto, na conjuntura atual do país, observa-se um cenário de negligência quanto aos direitos dos nativos tupiniquins. Esse cenário mostra-se persistente devido a atuação de empresários e mineradores, bem como a negligência cultural que impera na sociedade brasileira em questão.

Primordialmente, é cabível ressaltar que as riquezas naturais presentes nas terras índigenas, em geral, fazem com que elas sejam bastante cobiçadas. Na América Latina, por exemplo, o período de colonização pode ser considerado o ápice das explorações de matéria prima, além da intensa extração de metais preciosos. Nesse viés, ainda hoje as teras pertencentes aos primitivos são amplamente exploradas, destacando-se a atividade mineradora, interessada em mais de 34% das terras indígenas demarcadas. Esse cenário desencadeia a contaminações de rios por diversos metais, como o mercúrio, além de mortes, estimando-se que 134 indígenas temham morrido em conflitos com mineradores, segundo o jornal Mongabay.

Outrossim, a desvalorização cultural das práticas indígenas é outro fator que obstaculariza a questão abordada. Sob essa ótica, a catequização dos índios pelos Jesuítas católicos europeus, bem como a imposição do português como língua oficial do país, são fatores que negligenciaram a cultura dos povos primitivos, desintegrando práticas de identidade nacional que os caracterizavam. Nesse âmbito, até mesmo obras da literatura, como Macunaíma, de Mário de Andrade, trazem uma estereotipação negativa da figura do índigena, sendo estes associados a um tipo de herói que não possui caráter próprio. Logo, sua valorização acontece apenas em dias como 19 de abril, em que são retratados pelos pequenos com pinturas faceais e cocar na cabeça, corroborando sua estereotipação.

Diante do fatos supracitados, percebe-se que a classe indígena é pouco valorizada, tendo inúmeros direitos negligenciados, bem como  hábitos culturais banalizados. Para impedir a continuidade desse cenário, o Ministério da Justiça deve disponibilizar à FUNAI uma delegacia especializada em investigação de contratos empresariais, sendo assim responsável por analisar interesses de mineradoras em terras indígenas reservadas, confiscando, se necessário, contratos ilegais de posse dessas áreas, evitando a ocorrência de mais conflitos e mortes. Ademais, o Ministério da Cultura deve difundir imagens, hábitos e músicas caracterizando as tradições dos povos nativos, utilizando propagandas em horário nobre nas principais emissoras de televisão, para que a cultura dessas classes não seja mais estigmatizada, e eles sejam, efetivamente, reconhecidos e valorizados.