O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 30/05/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo sexto, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, esse direito não é posto em prática quando se analisa o impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Dessa forma, é de suma importância a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, vale salientar a ineficácia das políticas públicas para promover uma boa educação alimentar na população. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 55% dos jovens tem hábitos alimentares irregulares. Nesse viés, são os jovens quem mais consomem alimentos ultraprocessados, haja vista que são facilmente persuadidos por esse mal, devido à falta de instrução sobre hábitos saudáveis, já que as instituições de ensino não atuam de maneira eficaz em orientar os alunos a optarem por alimentos naturais. Por consequência, os hábitos irregulares na alimentação comprometem o desenvolvimento dos indivíduos e trazem grandes malefícios, como ganho de peso, aumento na incidência de problemas cardiovasculares, gástricos, alergias e colesterol elevado.

Ademais, é fundamental apontar que a disseminação de propagandas de produtos alimentares industrializados impulsionam seu consumo. Segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, a indústria cultural utiliza dos meios de comunicação de massa para disseminar padrões de consumo que geram uma falsa sensação de felicidade e prazer. Assim, devido a rotina de trabalho intensa dos indivíduos, os alimentos ultraprocessados se tornaram opções mais viáveis, visto que são facilmente encontrados e possuem alto prazo de validade, além de geralmente terem um custo mais baixo. Sob tal ótica, as mídias de grande alcance facilitaram a propagação de anúncios de alimentos prontos ou semiprontos ricos em açucares, sais e gorduras.

Destarte, é essencial a tomada de medidas para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados no âmbito social. Portanto, cabe ao Poder Legislativo, por meio de agentes especializados em fiscalização, desenvolver um projeto de lei que coaja as indústrias do ramo alimentício a diminuir o uso de aditivos químicos nos alimentos, uma vez que esses produtos trazem diversos malefícios à saúde dos indivíduos. Outrossim, o Ministério da Educação, em conjuntura com o Ministério da Saúde, deve promover palestras nas escolas com profissionais especializados, orientando os docentes a terem hábitos alimentares saudáveis, e a optarem por alimentos naturais ao invés dos ultraprocessados. Deste modo, se construirá uma sociedade mais saudável, onde o Estado cumpre seu papel na totalidade, bem como as condições propostas em sua Constituição.