O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 27/08/2020
A história do processamento de alimentos tem início a partir da necessidade que a humanidade tinha de conservar os alimentos pelo maior tempo possível, de modo a garantir a sobrevivência em períodos de escassez, como em invernos ou secas rigorosas. Com o passar do tempo, novas técnicas foram sendo desenvolvidas para conservar os alimentos, como a pasteurização e a adição de conservantes, hoje temos alimentos disponíveis que agregam praticidade e satisfação, mas não necessariamente a função de suprir as necessidades nutricionais humanas. Os alimentos ultraprocessados como salgadinhos de milho ou empanados de peixe, que sofreram alterações na sua química, sintetizadas em laboratório, tiveram grande parte do valor nutricional retirada do alimento original.
No Brasil, obtém-se um grande número de pessoas que aderiram aos alimentos ultraprocessados e a má alimentação por conta do sabor desses alimentos. Os principais fatores que promovem o aumento de peso e obesidade e o desenvolvimento de doenças não transmissíveis (DNTs) são: a elevada ingestão de alimentos com poucos nutrientes e alto valor energético (alimentos ultraprocessados), consumo rotineiro de bebidas açucaradas e atividade física insuficiente. Diante da elevação do consumo de alimentos ultraprocessados e seus possíveis impactos na saúde humana, é necessária a criação de politicas públicas que diminuam o acesso a esse tipo de alimento. Um exemplo a ser citado foi a aplicação de taxas em todas as bebidas adoçadas e todos os snacks com alto teor de açúcar e gordura, e, por isso, o consumo desses alimentos deve ser evitado ao máximo.
No Brasil: marcas, embalagens, rótulos e conteúdo de alimentos ultraprocessados tendem a ser idênticos em todo o mundo. As marcas mais conhecidas são promovidas por campanhas publicitárias milionárias e muito agressivas, incluindo o lançamento, todos os anos, de centenas de produtos que sugerem falso sentido de diversidade. Diante dessas campanhas, culturas alimentares genuínas passam a ser vistas como desinteressantes, especialmente pelos jovens. A consequência é a promoção do desejo de consumir mais e mais, sendo um impacto na cultura brasileira.
A manufatura, a distribuição e a comercialização de alimentos ultraprocessados são potencialmente danosas para o ambiente, pilhas de embalagens desses produtos descartadas no ambiente, muitas não são biodegradáveis, desfiguram a paisagem e requerem o uso crescente de novos espaços e de novas e dispendiosas tecnologias de gestão de resíduos. O consumo ocorre com frequência sem hora fixa, muitas vezes quando o brasileiro vê televisão ou trabalha no computador, e em outras ocasiões de relativo isolamento. Por isso, evite alimentos ultraprocessados e recorra aos alimentos in natura ou os minimamente processados que garantem a boa alimentação e boa saúde.