O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 21/08/2020

Ao pensar em retrospecto em quais alimentos você consumiu hoje, quantos deles estavam in natura, ou seja, não haviam sido nada alterados depois de retirados da natureza? A probabilidade é que boa parte deles tenha sofrido algum grau de processamento, já que desde a década de 80, os produtos ultraprocessados apresentam participação crescente na dieta brasileira.

O impacto do aumento no consumo de ultraprocessados pelos brasileiros nas últimas três décadas atua tanto na saúde individual quanto em aspectos coletivos, como a cultura alimentar, a vida social e o meio ambiente . São muito pobres em fibras (essenciais para a prevenir as doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer) e suas características estimulam o consumo excessivo de calorias.

Segundo o estudo sobre a “Participação crescente dos ultraprocessados na dieta brasileira” entre 1987 e 2009, publicado em 2013 na Revista de Saúde Pública, o aumento da aquisição de produtos prontos para consumo por domicílio metropolitano do Brasil nessas duas décadas se deu em todas as classes sociais.

Há ainda a desvantagem ambiental desse aumento, cuja produção eleva o volume de resíduos sólidos e o consumo de água e energia pelas indústrias e reduz a variedade biológica dos gêneros alimentícios, por conta da compra em massa de uma única variedade do alimento in natura, enquanto a cultura culinária preserva a diversidade das espécies.