O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 22/08/2020

O período da Revolução Industrial estabeleceu-se a partir da acelerada substituição da fabricação manual para a produção industrial fundada em novas tecnologias de processamento. Simultaneamente, a produção de alimentos modificou-se e ainda transforma-se hodiernamente. Por certo, o aumento progressivo na elaboração e consumo de alimentos ultraprocessados provém de fatores sociais e econômicos e impacta negativamente na sociedade brasileira, principalmente no que tange à aspectos individuais de saúde.

Sobretudo, para resolução do crescente consumo de mantimentos ultraprocessados é necessário reconhecer-se suas causas, cabe ressaltar que ainda que seja de direito humano acesso à uma alimentação adequada, as refeições naturais tornam-se cada vez mais custosas. De acordo com um estudo desenvolvido na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a carne, por exemplo, restituiu-se mais cara em relação à salsicha, alimento ultraprocessado considerado um substituto para proteínas de origem animal. Logo, os preços inacessíveis situam-se como um dos principais fatores à alimentação saturada em comidas ultraprocessadas. Outrossim, o cotidiano atarefado de grande parte dos cidadãos contribui para maior demanda de alimentos congelados e artificiais.

Nesse sentido, afirma-se que, diante o cenário atual, a presença de produtos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro provém principalmente de questões socioeconômicas, e configura-se como problema de saúde pública. De acordo com estudo publicado pela revista científica Public Health Nutrition, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o consumo de alimentos industrializados associa-se à progressão de doenças crônicas como diabetes, câncer, hipertensão, dentre outros, uma vez que tais produtos são nutricionalmente desbalanceados. Como ainda, o Ministério da Saúde afirma que estas enfermidades foram responsáveis por 74% do total de óbitos de 2016.

Dessa maneira, conclui-se que, a grande presença de ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro, impacta principalmente na saúde dos indivíduos. Em vista disso, é de responsabilidade do Governo retificar economicamente os fornecedores alimentícios, por meio da diminuição de preços de alimentos naturais e aumento dos valores de industrializados, a fim de estimular uma alimentação saudável na sociedade. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação conscientize a população desde à infância a respeito de conhecimento alimentar e nutritivo, por meio de aulas de educação nutricional e biologia nas escolas, para capacitar os cidadãos a escolherem diariamente refeições mais saudáveis e nutritivas.