O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 08/09/2019

É um fato incontestável que a vida dos brasileiros está cada vez mais corrida, com rotinas que privam o indivíduo não só do convívio familiar e de um sono adequado, mas também de uma alimentação saudável. Com o tempo para ser gasto com alimentação sendo cada vez mais escasso, ganharam força no mercado os alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, bolachas e salgadinhos. Apesar da praticidade que oferecem, esses alimentos geram problemas à saúde de quem os consome, já que contém diversos ingredientes sintetizados em laboratório, como aromatizantes e conservantes, além de contribuir para a obesidade infantil, visto que esses tipos de comidas são atrativas para as crianças.        Em primeiro lugar, é válido salientar que a população tem aderido de forma significativa aos alimentos ultraprocessados, devido ao fato de que são comercializados de forma que o indivíduo possa comer enquanto realiza outras atividades. Apesar da praticidade, esses alimentos, que contém grande quantidade de aditivos que são maléficos à saúde, promovem a saciedade mas não nutrem quem os ingere. Há, também, o fato de que as empresas tem tirado grande vantagem da falta de percepção da população, preocupando-se mais com o número de vendas de um determinado produto, por pior que seja, e menos com a saúde de quem os compra. É possível fazer um paralelo com o livro “Modernidade Líquida” do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, que afirma que devido ao mundo globalizado, o indivíduo tem se tornado cada vez mais apenas um consumidor e menos um cidadão consciente.

Por conseguinte, como consequência de uma população que tem consumido cada vez mais alimentos que fazem mal à saúde, há o fato de que as crianças, que tendem a seguir os exemplos dos adultos, ingiram esse mesmo tipo de comida. Há, também, o fato de as publicidades desses tipos de produtos serem cada vez mais voltadas para o público infantil, o que é um problema, visto que, com isso, a obesidade infantil, doença que pode trazer além de problemas de saúde, constrangimentos, é algo cada vez mais presente na vida dos brasileiros, prejudicando a vida e o crescimento das crianças.

Fica evidente, portanto, que a ingestão, pela população, de alimentos ultraprocessados, é um problema que merece visibilidade e tem que ser resolvido. É cabível que o governo, representado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), fiscalize de forma mais eficaz os produtos a serem vendidos e consumidos pela população, por meio de operações mais organizadas e maior conhecimento a respeito dos malefícios que tais produtos causam à saúde, para que, dessa forma, os brasileiros não ingiram substâncias que possam lhe fazer mal. Além disso, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR) deve vetar qualquer tipo de propaganda que cause nas crianças o desejo de comer alimentos que fazem mal à própria saúde, evitando, assim, que desenvolvam algumas doenças.