O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 02/09/2019

Atualmente, nota-se o impacto dos alimentos ultraprocessados nos hábitos alimentares brasileiros. Tal mudança advém da transformação dos padrões de vida causada pela urbanização e pela globalização. Esses dois fatos das últimas décadas causaram o aumento do consumo de alimentos “na rua”, ou melhor, em restaurantes, supermercados, hortifrútis, lanchonetes e em redes de fast food. Dentre esses produtos, no entanto, o que mais preocupa os especialistas da área da saúde é a expansão do consumo de ultraprocessados produzidos por grandes corporações de fast food. Devido a sua composição nutricional desbalanceada, rica em sódio e calorias, este tipo de alimento deve ser evitado, conforme adverte o Guia Alimentar da População Brasileira criado pelo MEC em 2006. Há, porém, um aspecto dos tempos atuais que dificilmente será mudado: o “consumo na rua”. Pode-se dividi-lo em dois segmentos de natureza distinta, os estabelecimentos que vendem fast food e os que não vendem. Julga-se oportuno, então, atestar a urgência de repensar o consumo de alimentos na rua evitando as redes que oferecem ultraprocessados.

Um dos fatos que torna emergencial a reflexão sobre o que se come na rua é o crescimento do gasto com fast food entre os brasileiros. Um estudo realizado em 2014, pela EAE Business School, coloca o Brasil entre os quatro maiores consumidores de fast food no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Japão e China. Também, aponta que esse gasto tende a crescer 30,88% entre 2014 e 2019, uma das maiores expectativas se comparada a de outros países. Logo, é factível que o consumo de ultraprocessados esteja ganhando espaço diante de outras maneiras de “comer na rua”.

Por outro lado, vê-se a expansão de empresas como Mc Donalds, KFC, e Subway. A mesma pesquisa aponta que o Mc Donalds segue líder com 18 710 pontos de venda justamente por causa das campanhas publicitárias e por inovar oferecendo opções para o café da manhã. A impulsão dada por grandes investimentos neste ramo, portanto, mostra que o fast food não veio apenas pra ficar como para substituir, progressivamente, os alimentos não-processados em refeições ordinárias.

Tendo em vista os fatos acima, é importante ter em mente que o hábito de comer na rua é algo dificilmente reversível, visto ser um costume imposto pelas novas relações urbanas. Contudo, a disputa desigual entre as corporações globais de fast food e outros estabelecimentos que oferecem comida na rua, pode ser mediada pelo consumidor bem informado. Para formar e informar os consumidores a respeito das consequências  deste tipo de consumo, pode-se implementar nas escolas da rede pública e privada a Semana de Alimentação Saudável, com mesas de debate compostas por convidados especiais que atraiam a presença do público, contratados e remunerados mediante editais públicos.