O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 27/09/2019

Os efeitos do consumo de alimentos artificiais é uma questão que precisa ser discutida no Brasil. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, “o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar”. Nesse contexto, a difusão de um padrão alimentar ocidental, baseado na praticidade e no custo está causando o adoecimento generalizado da população. Dessa forma, urge a necessidade de providências para reverter esse cenário tão comum na atualidade.

Em primeiro lugar, o consumo excessivo de comidas industrializadas está relacionada a fatores culturais e socioeconômicos. Essa constatação justifica-se pelo dia-a-dia cada vez mais cheio de tarefas, em que as pessoas tentam gastar menos tempo para preparar a comida. Diante disso, a indústria oferece facilidades como fast foods, lasanhas de micro-ondas e macarrões instantâneos, ricos em sódio e conservantes, mas pobres em nutrientes. Além disso, esses alimentos são mais baratos do que os saudáveis, o que atrai ainda mais os indivíduos menos abastados.

Por conseguinte, as pessoas estão desenvolvendo problemas de saúde que poderiam ser evitados com conhecimento e estímulo a hábitos saudáveis. De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada cinco brasileiros, um é obeso. Nesse sentido, deve-se considerar que o sobrepeso está relacionado, muitas vezes, a enfermidades como o diabetes, colesterol alto e hipertensão. Importa ainda ressaltar que essas doenças podem surgir também em pessoas com o peso considerado ideal, mas que se alimentam de forma inadequada.

Deve-se, portanto, adotar mecanismos para conter a tendência ao consumo excessivo de alimentos aromatizados, artificialmente. Para tanto, cabe à OMS exigir do Poder Legislativo nacional a criação de leis que cobrem das indústrias de alimentos a redução das taxas de corantes, sódio e açúcar dos seus produtos, com o objetivo de mitigar os impactos na saúde da população. Já o Ministério da Educação deve implantar a disciplina nutrição, ministrada por profissionais da área, tanto para o ensino fundamental, quanto médio, para que as crianças e jovens aprendam a comer de forma saudável, disseminando esse conhecimento para suas famílias. Assim, será possível reverter esse fato social que adoece.