O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/05/2020

Uma das figuras fulcrais à Sociologia, Max Weber, preconizara as diversas manifestações de poder na sociedade. Dentre elas, historicamente, exalta-se o poder por carisma, pelo qual, dotado de traços que o diferem das demais pessoas, um indivíduo pode estabelecer relações de domínio sob os outros. Nesse viés, encaixa-se a questão dos influenciadores digitais, os quais, importunamente, podem oferecer riscos à formação plena dos jovens ao utilizar de tal poder para interesses narcisistas. Dessa forma, aponta-se que tais têm capacidade para manipular, com dolo, essa parcela mais nova, o que resultaria em más decisões políticas a longo prazo.

Primeiramente, afirma-se que os jovens são, geralmente, intelectualmente mais influenciáveis, de modo a torna-los, decerto, vulneráveis. Para depreender isso, vale evocar o contratualista John Locke e sua noção de “tábula rasa”. Segundo ela, o homem é um “quadro em branco” até a maioridade, o qual vai sendo preenchido por experiências e até mesmo coações. Nesse sentido, é notório que os jovens, ao acompanharem tais influenciadores, podem estar sujeitos à manipulação dos criadores de conteúdos “on-line”, fato que, potencialmente, é prejudicial à formação deles, pois essa seria comprometida em face do caráter doloso de alguns criadores.

Por conseguinte, ao serem controlados, é possível que os efeitos disso reflitam, negativamente, no espectro sociopolítico. Isso, porque os influenciadores têm domínio sob as ideologias políticas individuais, podendo, assim, tendenciá-las para benefício próprio. Tal conjuntura pode sugerir, muitas vezes, uma população que clama por decisões políticas arbitrárias à democracia, o que foi analisado por Manuel Arias Maldonado em seu livro “Nostalgia del Soberano”. Nele, compreende-se um possível ímpeto social, na atualidade, em se respaldar em soberanos - líderes políticos únicos -, o que dialoga com, por exemplo, a demagogia de Adolf Hitler na Alemanha nazista e evidencia o potencial caótico inerente aos influenciadores digitais.

Portanto, visto a intempestividade da problemática, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para evitar o controle prejudicial desses criadores nos jovens. Para tanto, compete às famílias - enquanto unidades que constroem uma nova geração -, o dever de previnir o contato exacerbado dos pais novos com a internet ao, por exemplo, delimitar o uso de artigos digitais, por meio do controle parental mediante uma protocooperação familiar, a fim de afastar seus descendentes da manipulação dos influenciadores digitais. Dessarte, observar-se-ia uma sociedade politicamente plena e que diverge do controle por carisma evidenciado por Hitler.