O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/05/2020
No século XX, o filósofo Guy Debord teorizou a ‘‘sociedade do espetáculo’’ - a qual previa que as relações sociais seriam medidas por imagens. Nesse contexto, Debord não pode deduzir sobre os grandes agentes dessa ação: os influenciadores digitais que por meio das redes sociais impactam a sociedade ao compartilhar seu estilo de vida, seu modo de pensar e agir. Com efeito, urge novos desafios que precisam ser analisados e remediados, visto que essa influência pode moldar negativamente a formação da juventude.
Nesse sentido, é fundamental compreender como a massificação de ideias é acentuada pelos influencers. Para isso, analisa-se o conceito de Moral de Rebanho proposto por Friedrich Nietzsche, o qual revela que as pessoas não usam o senso crítico na maior parte do tempo e agem por opiniões de massa. Sobre isso, urge o caso do levante dos jovens na internet pelo adiamento do Enem 2020 movido por influenciadores da educação. Sob essa perspectiva, mesmo que o fim seja bom, ao ler comentários em perfis como o de Débora Aladim - influente educacional - é possível perceber que muitos jovens não estão a par do que acontece nacionalmente e que muitos só se informam pelas redes sociais, com perfis influentes. Esse fato, se revela extremamente preocupante, pois se a juventude não busca informações livre de juízos ela nunca será crítica ao formar seus pensamentos.
Outrossim, os influenciadores digitais praticam a ultra exposição e estímulo à padronização de comportamentos e isso acarreta disfunções ligadas a autoestima. A esse respeito, a série britânica Black Mirror retrata no episódio Rachel, Jack and Ashley too, a história de Ashley a qual vive uma exposição excessiva e que aparenta ter uma ‘‘vida perfeita’’, desejada por seus fãs. No entanto, a menina vive uma realidade terrível onde gostaria de ter amigos, privacidade, além de enfrentar uma grave depressão. Apesar de ser uma ficção, a história de Ashley se reflete na sociedade atual, onde a autoestima da população é constantemente ferida pelo padrões de beleza e de felicidade apresentados pelos influenciadores. Conforme a Royal Society For Public Health - importante instituição de saúde mundial - em 2018 houve um aumento de 80% nos casos de ansiedade e depressão sob os usuários de redes sociais, fato que demonstra o quão grave podem ser os efeitos das influencias.
Urge, portanto, a necessidade de combater esses impactos negativos gerados por influenciadores digitais sob a formação da juventu, entender sua realidade e desenvolver melhor seu senso crítico