O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/05/2020
A série britânica “Black Mirror”, criada por Charlie Brooke, possui um episódio intitulado “Queda Livre” que se passa em um mundo fictício onde as conquistas materiais e sociais dependem da avaliação alheia, nesse contexto, a personagem principal se vê desesperada para ganhar influência. Fora da ficção, conjuntura semelhante é realidade no Brasil em decorrência da existência dos influenciadores digitais, que impactam a formação dos jovens nem sempre de maneira positiva. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a influência exercida através das redes sociais tem o objetivo de gerar lucro através do marketing digital, e isso, nem sempre ocorre de maneira correta. De acordo com uma matéria publicada pelo portal “Notícias da TV”, ex participantes do reality show “Big Brother Brasil 20” tornaram-se “influencers” logo após o fim do programa e passaram a divulgar lojas acusadas de praticar golpes em fãs. Portanto, pode-se concluir que um dos problemas gerados pelos influenciadores resulta em impactos financeiros negativos para os jovens.
Cabe mencionar, em segundo plano, que a influência digital se tornou maléfica no que tange a saúde mental da parcela influenciada, pois ela é “bombardeada” diariamente com a vida glamourosa, gastronomia, viagens e experiências financiadas para os influenciadores. Destarte, em analogia ao pensamento do sociólogo Francês, Pierre Bourdieu, esse quadro, além de deprimir a juventude, é caracterizado como violência simbólica, pois o capital simbólico dos “influencers” é mais valorizado.
Portanto, o Ministério da Saúde deve criar uma juventude consciente a respeito dos perigos oferecidos à saúde mental causados pelos influenciadores, por meio de campanhas midiáticas, principalmente na internet, e com auxílio da Polícia Federal dar dicas aos jovens de como evitar “cair” em golpes digitais. Espera-se, com isso, criar a consciência necessária e, assim, diminuir os impactos negativos da influência digital, além de afastar a realidade da ficção preocupante de “Black Mirror”.