O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 03/05/2020
Existem dois mundos: o mundo da experiência sentida pelo nosso corpo e o mundo das coisas em si. A frase do filósofo Immanuel Kant remete aos diferentes mundos dos quais o indivíduo pode deparar-se durante a vida. O das coisas em si remete ao qual a realidade é predominante. Já o do sentido pelo corpo é a justificativa do sucesso dos influenciadores digitais atualmente, que visam a idealização de produtos e experiências, fazendo com que o jovem se torne mais exposto e induzido ao ato de compulsão no consumo, além de romantizar uma profissão.
Com a profissão de influenciador em alta, jovens que buscam tal utopia deixam de priorizar o mundo fora dos âmbitos digitais, logo, os estudos e família se tornam uma segunda opção, de modo que, é retratado nas redes sociais devido ao número de horas que estes passam navegando, sejam em live ou gravando vídeos. Segundo o relatório digital da agência We Are Social em 2019, os brasileiros gastam cerca de 3h e 34 min diariamente em redes sociais.
No livro ‘‘O Mundo como Vontade e Representação’’ do filósofo Arthur Schopenhauer, retrata que o homem é livre para fazer o que quer, mas não para querer o que quer. Em síntese, remete a causa da acentuação do consumo de bens supérfluos, o consumismo, influenciado pelas figuras públicas. Além disso, os mesmos são impostos a realizar avaliações positivas dos produtos para que não sofram a coerção ou desabono da marca que os patrocinam, levando o feedback a não ser tão fidedigno assim.
Por conseguinte, cabem aos indivíduos e influenciadores, não deixar-se induzir por experiências digitais que mitigam a realidade dos produtos, idealizar o consumo exacerbado, atentando-se a também avaliações negativas, alternando seu tempo gasto em redes sociais, valorizando também a educação e cidadania, a fim de propiciar uma sociedade menos consumista e racionalmente independente, deparando-se com o mundo das coisas em si, assim como o retratado por Kant.