O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 30/04/2020

O mundo contemporâneo trouxe transformações na maneira como as grandes empresas e marcas fazem propagandas, que agora ocorrem através de influenciadores digitais nas redes sociais. O chamado marketing da influência é uma das estratégias da atualidade mais eficientes para chamar a atenção de crianças e jovens. Nesse cenário, a divulgação das novidades do mercado por influenciadores tem efeito direto nas escolhas de compra e nas opiniões do público jovem. Por conseguinte, a formação dos jovens é comprometida pelo estímulo ao consumo exacerbado e pela falta de responsabilidade dos “influencers”.       Em primeiro plano, as propagandas feitas por blogueiros representam a maneira subconsciente que o mercado encontrou para moldar pensamentos e comportamentos das pessoas sem que elas tenham consciência dessa manipulação. Nesse aspecto, tais publicidades podem ser prejudiciais aos jovens na medida em que esses estão em fase de amadurecimento e de construção da identidade e do caráter. Dessa forma, a faixa etária dos jovens é facilmente manipulável e passível de sofrer influência de personalidades importantes. Como consequência dessa prática dos influenciadores, há o incentivo a práticas consumistas, a dispersão de discursos preconceituosos e mentirosos e até a reprodução por jovens de comportamentos condenáveis - como a realização de maldades.

Em segundo plano, os influenciadores digitais deveriam ter a responsabilidade de criar um propósito em prol da educação dos jovens e entender a potencialidade da repercussão de suas falas e atitudes, de forma a aproveitar suas influências para propagar o bem e o respeito. Além disso, os pais devem supervisionar o acesso dos filhos à internet e devem apresentar influenciadores com foco educacional aos jovens, já que repassam conteúdos relevantes que podem contribuir positivamente para a formação desses. Sob a perspectiva filosófica de Pierre Lévy, a cibercultura coloca o ser humano diante de comunidades dispersoras de conhecimento - redes sociais -, onde é possível trocar ideias e compartilhar interesses. Porém, para ele, deve-se selecionar apenas as informações benéficas para serem compartilhadas, o que enfatiza a importância da divulgação de conteúdos de qualidade para os jovens.

Portanto, é necessário que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, incentive o pensamento crítico nas escolas - para que os jovens não sejam manipulados por influenciadores digitais - e estimule o estabelecimento de um canal aberto de diálogos entre pais e filhos - a fim de que a família participe mais ativamente da vida dos jovens, sem que esses sejam impactados por conteúdos digitais. Isso pode ser feito por meio da adoção da disciplina “Cultura Digital”, em todas as escolas, com o objetivo de explicar as reais intenções dos conteúdos presentes nos discursos dos influenciadores. Assim, com jovens mais críticos, haverá consumidores mais conscientes e cidadãos menos manipuláveis.