O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
A Revolução Técnico-Científica-Informacional, consolidada após a Segunda Guerra Mundial, foi responsável pelo advento da internet como ferramenta essencial no aprimoramento dos processos produtivos. No contexto contemporâneo, esse recurso tecnológico vem sido amplamente utilizado por jovens inspirados pelos “digital influencers”, conhecidos por compartilhar conteúdos nas plataformas digitais. Desse modo, tais agentes podem causar impactos negativos na formação desses jovens, como o estímulo ao consumismo delirante e a manutenção de esteriótipos que moldam padrões sociais.
A priori, é fulcral pontuar que ser um influenciador significa ter um efeito considerável nas decisões de compra dos jovens internautas. Consoante à teoria de Michel Foucault, filósofo francês, os novos mecanismos de poder exercem o controle sobre a maneira de pensar e agir dos indivíduos com pouca capacidade crítica. Sob tal ótica, o comportamento do usuário é manipulado pela influência midiática, visto que os criadores de conteúdo, instruídos pelas empresas, estimulam os jovens a adquirir seus produtos, sob o discurso de que eles estão na moda e trazem certo prestígio social. Portanto, o consumo desenfreado de produtos pode induzir o aparecimento de doenças nos jovens, como a oniomania, caracterizada pelo desejo compulsivo de comprar sem a devida necessidade.
A posteriori, segundo o antropólogo canadense Erving Goffman, a solidificação de esteriótipos provindos de uma classe dominante, geralmente de pessoas brancas, resulta no processo de marginalização de indivíduos devido à atribuição de valores que os tornam diferentes e inferiores. Nesse viés, é indubitável considerar que, no mundo globalizado, discursos proferidos por alguns influenciadores digitais, que supervalorizam seus padrões de beleza e conduta, reforçam esteriótipos, os quais podem ocasionar frustrações individuais. Esse discurso irresponsável intensifica, portanto, o estigma social, cultiva preconceitos e, consequentemente, traz malefícios à saúde mental dos jovens que não se encaixam nos padrões estabelecidos, levando-os à depressão e à ansiedade patológica.
Em suma, é imprescindível afirmar que os formadores de opinião modelam os padrões sociais dos jovens e os influenciam a consumir mais. Destarte, cabe à mídia alertar os agentes sobre a conjuntura atual, mediante a criação de campanhas publicitárias educativas, no Facebook e Instagram, que estimulem os agentes digitais a reproduzirem seus discursos de forma mais responsável ao valorizar estilos de beleza alternativos e abordar diferentes temas sociais, como preconceito racial e linguístico. Essas campanhas, ainda, devem incentivar o consumo consciente pela juventude, informando sobre os benefícios desta prática na atualidade. Tal proposta visa conscientizar os “influencers” de sua atuação entre os jovens e reduzir os impactos nocivos do consumismo e da perpetuação de esteriótipos globais.