O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
Max Weber, sociólogo alemão, percebeu, no cerne das relações, a Dominação e dividiu-a em três categorias, dentre as quais encontra-se a “Carismática” (oriunda da devoção). Sob esse viés, cabe ponderar quanto ao impacto dos influenciadores digitais – detentores da afetividade de seus seguidores – na formação de jovens no contexto brasileiro hodierno, afinal, com o advento das novas tecnologias, surgiram novas espécies de vínculos nos moldes dominante-dominado pautados na internet. Desse modo, para ser viável mitigar os efeitos negativos, faz-se indispensável discorrer acerca da intensa padronização das ideias que acarreta, muita das vezes, na perpetuação do consumismo.
A princípio, urge apontar a homogenização das consciências individuais. Consoante à teoria “Mortificação do Eu”, do cientista social Erving Goffman, o sujeito, induzido por fatores coercitivos, perde seu pensamento individual em detrimento da coletividade. No contexto tupiniquim atual, a juventude é involuntariamente exposta, por meio dos algorítimos, a conteúdos das figuras públicas e, então, deixa de ter contato com opiniões divergentes daquelas previamente apresentadas. Logo, o senso crítico da mocidade, em geral, é prejudicado, tornando-a alienada e sem capacidade de diálogo, basicamente como um receptáculo de posicionamentos impostos.
Por conseguinte, convém ressaltar como a ótica capitalista usufrui desses afamados perfis. Conforme o escritor George Orwell, “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. À vista disso, percebe-se que, no contexto atual, para moldar o comportamento do grupo cibernético, empresas patrocinam os influenciadores digitais e estes, no que lhes concernem, apontam e propagam ideais de aparente perfeição devido ao uso dos produtos recebidos dessas instituições. Dessarte, a coletividade tecnológica, “mortificada” e com escasso discernimento, consome, maquinalmente, de acordo com padrões pré-estipulados pela “marca e mídia”.
Depreende-se, portanto, a necessidade de intervir atenuando a problemática referente aos influenciadores digitais. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas mídias sociais que expliquem o funcionamento dos algorítimos e as mazelas do não questionamento do conteúdo apresentado. Isso deve ser feito com o fito de conscientizar a mocidade canarinha a respeito do problema e contribuir para o estímulo do uso sensato das novas modernizações. Quiçá, então, será possível salvaguardar as ideias individuais na relação weberiana de “dominantes-dominados” além de combater a passividade consumista irrefletida.