O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 29/04/2020
Para o médico psiquiatra Sigmund Freud “o social e sujeito constituem um nexo único, de impossível cisão”. Dessa forma, o indivíduo é indissociável do social, ele absorve pensamentos e comportamentos a partir de suas relações durante a juventude – que compreende o período entre o período entre 15 e 29 anos, segundo o Estatuto da Juventude brasileiro. Em vista disso, as referências obtidas durante essa fase possuem um impacto definidor no modo de pensar e se comportar. Hodiernamente, com o advento da internet as interações se dão majoritariamente através das redes sociais (como o TikTok e Instagram) de onde surgem os “influencers digitais”, que são pessoas que criam conteúdo e influenciam o público jovem na tomada de decisões e no consumo, o que diretamente na formação do público jovem.
Primordialmente, é imperioso ressaltar que a juventude é uma fase do desenvolvimento humano de mudanças psicológicas e sociais, em que o indivíduo adquire autonomia e constrói sua identidade. Portanto, os conteúdos e referências consumidas nessa fase são definidoras, de modo que os influencers digitais assumem um papel de grande responsabilidade nisso. Uma evidência disso são os resultados de uma pesquisa da plataforma digital Youpix, em que 48% dos jovens entrevistados revelaram ter decidido comprar algo ao considerar dicas e impressões compartilhadas por influenciadores.
Segundo o sociólogo Zygmund Bauman “a modernidade, tal como os líquidos, caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma”. Em síntese, ele afirma que as relações sociais são voláteis e superficiais, de modo que na fase da vida em que os jovens se encontram, podem ser influenciados a alinharem seus pensamentos e comportamentos aos dos influenciadores e até mesmo compelidos a consumir, como comprova a a supracitada pesquisa da Youpix.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar o desafio e melhorar o quadro atual. Para que o impacto do conteúdo produzido por influencers seja moderado, urge que o projeto de lei nº 10937/2018, o qual dispõe sobre a regulamentação do ofício de Influenciador Digital, seja aprovado pela Câmara dos Deputados, por meio de uma Assembleia Constituinte. Nessa conjuntura, regulamentar conteúdo veiculado por esses trabalhadores, que possuem amplo alcance e impacto na formação de opinião de parcelas expressivas da população, em especial os mais jovens, para que o “nexo” do “social e do sujeito” seja mais sadio.