O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/04/2020

Em “Sociedade da Transparência”, livro do filósofo germano-coreano Byung-Chul Han, a sociedade moderna baseia-se na superexposição da intimidade - transformação permitida pela tecnologia - o que elimina a profundidade do ser. Nesse contexto, destaca-se o impacto negativo dos influenciadores digitais na formação dos jovens contemporâneos, visto que reforça a ilusão de uma vida perfeita, além de intensificar o consumismo. Diante disso, é fundamental analisar o atual panorama para desconstruir essa realidade.

Em primeira análise, é imperativo salientar as rasas ideologias fomentadas pelos criadores de conteúdo digital, ao enfatizarem a impressão de uma vida perfeita e ideal. Analogamente, a cantora pop Ariana Grande, em sua canção “Fake Smile”, retrata a necessidade de figuras públicas de se mostrarem sempre bem e felizes, com “sorrisos falsos”. Dessa forma, os perfis digitais são construídos a partir da completa felicidade, na qual somente os bons momentos agradam e que reprimem quaisquer vulnerabilidades. Consequentemente, essa falsa realidade pode acarretar em doenças psicossomáticas, tanto em quem consome o conteúdo, quanto em quem o produz, visto que carrega a ideia de que se deve reter emoções ruins para tornar-se relevante.

Ademais, o impacto econômico gerado pelos influenciadores digitais estimula o consumismo. Correlativamente, segundo a Teoria da Indústria Cultural, do filósofo alemão Theodor Adorno, os setores dominantes apropriam-se da esfera midiática com o objetivo de gerar a produção em massa. Nesse âmbito, em referência a estudos da Youpic - especialista em mercado de criadores de conteúdo digital - 90% das pessoas com 18 a 34 anos foram influenciadas economicamente pelos perfis digitais, o que evidencia a capacidade desses influenciadores de moldar e manipular tendências e opiniões daqueles que acompanham suas postagens, o que incentiva o consumo excessivo e, muitas vezes, desnecessário.

Depreende-se, portanto, que, para melhorar o atual panorama - visto que a existência de influenciadores digitais será cada vez mais evidente no cenário tecnológico - a escola, principal instituição responsável pela formação e pelo desenvolvimento moral da juventude, deverá trabalhar o senso crítico dos alunos, por meio de palestras com psicólogos e de trabalhos na área de Ética e Moral que conscientizem os jovens contemporâneos sobre os riscos da extrema exposição na internet e sobre os conteúdos consumidos, a fim de ampliar o discernimento desses e minimizar a transparência apresentada por Byung-Cul Han.