O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 10/04/2020
O contato tecnológico, no Brasil, tornou-se realidade apenas 1988, com o início na internet. Juntamente de diversos benefícios, como a facilidade de comunicação, a problematização também é uma realidade, presente na forma de influência nos jovens. O conteúdo vinculado nas grandes plataformas digitais, exemplificado pelo Youtube e pelo Instagram, pode ser categorizados na “indústria cultural” de Adorno, cuja ideia relaciona-se à padronização de valores propagados nesses veículos. Nesse contexto, os denominados “influenciadores digitais” são responsáveis pela formação do público juvenil, assim é necessário analisar a forma que eles introduzem ideais nos jovens, muitas vezes carregados de conceitos consumistas e preconceituosos.
Como supracitado, a internet é um recurso da modernidade que conquistou um espaço muito rápido na vida das pessoas. Conforme o IBGE, 96% do público entre 10 e 26 anos acessa frequentemente o Youtube, plataforma criada em 2005. Com esse enorme alcance, empresas de marketing aproveitam o alvo fácil - o qual sente extrema necessidade de acompanhar tendências - e investem fortemente nesses influenciadores, o que desperta um consumismo extremo nos telespectadores mais jovens, já que não têm um raciocínio entre necessidade e desejo.
Outrossim, é de suma importância mencionar os casos de atitudes preconceituosas dos youtubers, que contribuem para a formação do carácter dos adolescentes sob alicerces fracos. Recentemente, um caso que repercutiu de maneira extremamente negativa foi o ocorrido com o Julio Cocielo, influenciador com mais de 5 milhões de assinantes, cujas piadas foram julgadas como racistas, as quais foram adquiridas por jovens sem perceber o malefício social. Comportamentos como esse são excessivamente perigosos, visto que reforçam esteriótipos e desvirtuam a visão de mundo do público alvo, situação que reforça a ideia de Adorno, o qual afirma que a cultura de massa deixa a audiência menos inteligente e incapaz de agir moralmente.
Diante desse cenário, medidas são necessárias para amenizar o impacto. Conforme Newton, um corpo só sai do seu estado de inércia se uma força agir sobre ele, dessa forma, cabe ao Estatuto da Criança e do Adolescente, com auxílio dos pais, determinar um controle do conteúdo acessado nas plataformas onlines, com o objetivo de conseguir alertar os pequenos sobre a manipulação recorrente na mídia, afim de diminuir a alienação do público. Ademais, as emissoras, juntamente da Ancine (Agência Nacional do Cinema), deve produzir dramaturgias que apresentem as consequências do seguimento íntegro das ideias dos “influencers”, por meio de filmes e desenhos, assim reduzindo o impacto dos influenciadores na formação dos jovens.