O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 13/04/2020

No século XX, na Europa, houve a ascensão de inúmeros regimes totalitários de extrema-direita, dentre eles o nazismo e o fascismo, oriundos tanto da Crise de 1929, quanto de uma desilusão com os ideais democráticos. No entanto, para que tais ideologias se consolidassem, era necessário que a massa fosse imbuída dessas doutrinas radicais e que lutasse fervorosamente por elas. Para esse fim, Adolf Hitler decide, então, utilizar-se da propaganda política, por meio de cartazes, jornais e filmes anti semitas, como “O eterno judeu” de Fritz Hippler, que desumanizaram os judeus e normalizaram sua perseguição. Hodiernamente, em uma sociedade em que até mesmo a televisão tornou-se obsoleta, tal manipulação dá-se pelos influenciadores digitais os quais exercem uma influência que, se não bem discutida e monitorada, pode impactar negativamente os jovens.

Antes de tudo, é necessário ressaltar que um dos motivos pelos quais os influenciadores digitais têm tanto apelo com os jovens é o fato de ambos serem de faixas etárias próximas e eles sentirem-se, de certa forma, representados por esses ídolos. Isso, entretanto, torna-se prejudicial ao desenvolvimento dos adolescentes, quando há, por exemplo, a perpetuação de um estilo de vida irreal, isto é, quando são impostos padrões de beleza e alimentação que, embora pareçam satisfatórios, são nocivos à saúde. Dessa forma, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han disserta, em sua obra “Sociedade do cansaço”, que estamos inseridos em uma sociedade que preza pelo desempenho e pela multitarefa, representados pelos “likes” nas redes sociais, e que, caso não sejam atingidas essas expectativas pré-estipuladas, frustram-se e desenvolvem transtornos, como a depressão e o TDH.

Outrossim, as empresas, que patrocinam esses influenciadores, fazem uso de uma prática denominada pelo psicólogo Ernest Dichter de “propaganda subliminar”. Com o intuito de comprovar sua tese, ele exibiu um filme no qual, de tempos em tempos, surgiam mensagens “imperceptíveis” de alguns produtos e notou que esses tiveram um aumento em suas vendas. Ademais, nota-se que, mesmo que os jovens acreditem que possuem liberdade no que se refere a seus comportamentos, ela é meramente ilusória, pois  os costumes dessas figuras e os produtos que elas consomem influem nos jovens de maneira inconsciente e induzem-os a certas crenças.

É imprescindível, portanto, que as escolas eduquem os estudantes acerca do ambiente virtual, por meio da implementação de disciplinas relacionadas à educação digital e, até mesmo, financeira que alertarão o indivíduo sobre o uso indiscriminado da “internet”, visando não só a uma maior segurança, como também à emancipação intelectual dos jovens que saberão distinguir o que é filtro do que é realidade.