O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 07/04/2020
A série “Black Mirror” abordou em seu episódio “Nosedive” a relação atual com as redes sociais, possibilitando um questionamento acerca da busca da melhor avaliação social. Nesse contexto, é evidente o impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, tornando-os reféns de uma reputação “online”. Com efeito, essa busca trouxe a falta de personalidade dos seguidores, transformando-os em um padrão, bem como os transtornos psicológicos resultantes do somatório de frustrações.
Segundo um estudo realizado pelo “Google”, 88% dos consumidores confiam nas recomendação online, e de acordo com o “Mindminers”, 62% dos brasileiros têm um influenciador digital preferido. Entretanto, a capacidade inventiva da atual juventude passou a responsabilidade das decisões para um pequena parcela de pessoas, as quais nem sempre são especialistas em um determinado assunto, mas por possuírem uma boa imagem, conseguem ditar um padrão a ser seguido por milhares.
Outrossim, conforme uma pesquisa da “Royal Society for Public Health”, o aumento das atividades em redes sociais foi associado a várias doenças, tais como transtorno de ansiedade, depressão e a síndrome do toque fantasma. Consequentemente, a necessidade de exposição tornou-se algo cansativo e ignorou a parte da vida que não aparece nas telas, na qual os famosos têm uma vida comum, tangível a qualquer público, roubando o sentido que há na simplicidade.
Infere-se, portanto, que é urgente a redução do impacto causado pelos influenciadores digitais na formação dos jovens. Para que isso ocorra, é necessário que as escolas realizem debates interdisciplinares, estimulando a mudança da perspectiva e do comportamento da juventude. Some-se a isso o acompanhamento psicológico ao menor sinal de algum transtorno social ou psicológico. Assim, a cultura de uma falsa imagem de vida perfeita será desconstruída pelo viés educativo.