O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 06/04/2020

A terceira revolução mundial já começou. Pequenos dispositivos de 5 polegadas foram capazes de transformar os hábitos e moldar a vida de toda uma geração. Os smartphones deram o poder de alcançar o mundo com apenas um clique a todos aqueles que o detém. Instagram, Facebook e Youtube, todas essas redes sociais foram capazes de ditar uma nova profissão nunca antes existida na história da humanidade: a dos influenciadores digitais.

Em sua maioria, jovens com um celular na mão compartilham seu dia a dia em redes sociais, e podem ser vistos pelo mundo todo. O objetivo? Fama! E junto com ela todos os benefícios e promessas que a acompanham como dinheiro, viagens e novas experiências. Espalhados ao redor de todo o mundo, esses jovens ditam moda e hábitos de consumo, dando início ao marketing de influência. Se antes era o comercial na TV que fazia a criança desejar um brinquedo, hoje é a “Julinha” que tem um canal no  Youtube e brinca com o tal brinquedo dizendo o quanto ele é divertido.

Se a influência fosse apenas de consumo, não haveria tanto problema assim, afinal é normal que a experiência de compra vá mudando a cada geração. Mas e quando a influência vem de comportamento? São influenciadores que fazem bullying, discriminação e violência com outras pessoas, e usam o termo “trollagem” para se disfarçar. É comum vermos casos desses tipos em diversos vídeos postados diariamente em redes sociais. O que acontece hoje é a normalização da violência através da internet em nossa sociedade. Observemos que há inúmeros casos de agressão em escolas que são filmados e postados à público, a maioria desses atos visam gravar a violência contra uma pessoa, de forma que o sofrimento alheio se torne diversão ao olhos do expectador.

Portanto, é preciso reaver diversos conceitos que temos, é preciso que façamos uma avaliação onde até que ponto é brincadeira, e quando passa a ser uma agressão. Afinal, o ato não é iniciado pelo ‘‘cidadão comum’’, mas por uma pessoa pública, que tem seu fãs e ídolos, que reproduzem seus comportamentos de uma forma propagativa dentro da sociedade em geral.

Somos um dos países com mais horas navegadas por dia na internet, portanto o governo brasileiro precisa criar campanhas de conscientização para jovens em escolas e faculdades que visem trazer uma alerta e uma consciência à população sobre os limites da brincadeira, de um comportamento aceitável, e do que não é com o próximo. Tal campanha precisa estar presente também em jardins de infância, já que é alto o número de crianças que tem acesso à internet. Só dessa forma, evitaremos estar regredindo e criando uma cultura entre os jovens de discriminação, violência e bullying que há tanto tempo lutamos para erradicar em nosso país.