O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 06/04/2020
O episódio ‘queda livre’, da série Black Mirror, ressalta os impactos das redes sociais nos relacionamentos, uma vez que cada personagem é rotulado pela nota que possui, tornando, logo, possível manipular o comportamento de todos que se importam com as aparências. Análogo à ficção, percebe-se que os influenciadores digitais, sanguessugas de fama, apoiam-se nesse pensamento e vendem simulacros aos seus seguidores. Nesse sentido, é fundamental destacar os efeitos dessa prática para que seja possível mitigá-los e proteger os jovens dessa nefasta situação.
Assim, é sabido, antes de tudo, que há uma relação direta entre mentores digitais e o consumismo. Eles são os novos agentes publicitários, uma vez que assumiram o papel de criar uma ireal necessidade de compra.Nesse viés, os internautas legitimam as postagens dos seus guias e consomem as mercadorias propagandeadas. Prova disso foi o estudo da Instituição de Pesquisa Qualibest o qual constata que 73% dos brasileiros já compraram determinado produto pela indicação de um ‘influencer’. Dessa maneira, pode-se afirmar que os jovens possuem suas atitudes controladas por pseudos-celebridades que não estão focados em engajá-los, mas sim em obter notoriedade e patrocínio.
Ademais, convém ressaltar que os influenciadores impactam na saúde mental dos juniores. Tendo em vista que aqueles necessitam de uma construção de vida perfeita, nas redes sociais, mascarar a realidade com filtros é uma das ferramentas que utilizam para tal feitio. Nesse contexto, os seguidores que não conhecem essa prática, iniciam uma busca incessante para alcançar esse estilo de vida- que é mentiroso.Contudo, quando não o encontram, sentem-se frustrados e potencialmente deprimidos. Tal cenário vai ao encontro da frase do escritor brasileiro, Carlos Heitor Cony, a qual afirma que a internet é um ambiente de poluição espiritual. Destarte, constata-se que a sanidade mental é prejudicada, sobretudo, pela postagem de conteúdos superficiais e utópicos.
Torna-se claro, portanto, que os ‘‘influencers’’ afetam diretamente a juventude. Com o objetivo de diminuir os malefícios, é fundamental que o Ministério da Educação adicione aulas extracurriculares, ao ensino fundamental e médio, que debatam sobre as consequências de serem influenciados por pessoas midiáticas e gananciosas, por meio de conversas interativas com psicólogos. Concomitantemente, caberá ao Estatuto da Criança e do Adolescente, em parceria com o MCTIC, a formulação de regras aos influenciadores, nas quais estes terão que abordar assuntos engajados, como, por exemplo, social e ambientalmente. Dessa forma, os jovens estarão assistidos e afastados da realidade manipulatória explicitada em Black Mirror.