O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 15/04/2020

Carlos Drummond de Andrade, importante escritor modernista, já ratificava, em seu poema “Cota Zero”, a dependência tecnológica vivida desde a Revolução Industrial, ao afirmar que a vida para quando a tecnologia cessa. Essa dependência, na atualidade, é verificada nas redes sociais, onde as ações individuais são modeladas pelo coletivo, o que gera impactos no estilo de vida da população. Percebe-se, assim, o papel relevante dos influenciadores digitais como participantes da formação sociocultural dos jovens ao estimular o consumismo e favorecer a fragilização das identidades.

Segundo o filósofo polônes Zygmunt Bauman, vive-se em uma “Sociedade do Consumo”, na qual o consumismo é o elemento caracterizador das identidades contemporâneas. Tal prática é potencializada pelos influenciadores digitais dentro do meio virtual, por propagarem marcas e produtos, e disseminarem informações sobres estes, as quais são assimiladas acriticamente pela maioria dos indivíduos. Ademais, os criadores de conteúdo criativo transmitem a ideia falsa de estilo de vida perfeito baseado na adesão de bens materiais, e estimulam os seguidores a fazer o mesmo. Ao se frustrar com o objetivo, os jovens tendem a perder perspectiva, angustiando-se, e procuram estretenimento para afastar essa sensação, alimentando, dessa forma, um ciclo de influência midiática no cidadão passivo.

Além do impacto na prática consumista da população, os “influencers” têm papel fundamental na formação identitária dos jovens que, mais conectados em relação aos adultos, sofrem com a fragilização de suas identidades. A instabilidade emocional, gerada pela falta de reconhecimento no meio virtual, traz consigo a noção de incompletude e repercute nas tomadas de decisão dos indivíduos. O público juvenil, vítima do processo de celebrização de poucos, se auto sabota quando se compara a estes privilegiados e se molda com base neles, o que não favorece a manutenção das identidades e tem como consequência a promoção de relações sociais frágeis e efêmeras.

Nota-se, portanto, a necessidade de combater os ideais consumistas e de fortalecer as identidades para construção de uma sociedade mais harmônica e integrada. Visando à minimização da cultura do consumo, o Ministério da Educação deve promover dentro das escolas uma educação financeira que conscientize os jovens em formação dos perigos relacionados ao consumo desenfreado, mostrando, em aulas socioeducativas, como gerir e economizar o dinheiro em contraposição às influências midiáticas. Além disso, a construção das identidades juvenis deve se dar de forma consistente, a partir da aproximação com a família, instituição a qual deve entardecer o uso das redes sociais para outras etapas da vida, considerando a construção de identidades fortes como um processo gradativo e demorado. Dessa maneira, a dependência tecnológica citada por Drummond será superada.