O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/04/2020
O pensador Christoph Turcke, intertextualizando o filósofo Descartes, alega que a máxima “apareço, logo existo” tem perdurado na sociedade atual, a qual preza pela constante autoexposição online em busca de “likes”. É notável que o advento da internet possibilitou que diversas pessoas, anteriormente desconhecidas, ganhassem espaço e voz por meio das redes sociais, e passassem a ser seguidas por muitos indivíduos com interesses semelhantes aos delas. No entanto, bastantes jovens têm não apenas acompanhado seus ídolos virtuais, mas sim aberto mão da autonomia e do senso crítico em nome das opiniões, comportamentos e produtos vendidos pelos influenciadores digitais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a influência exercida pelos blogueiros e youtubers sobre os jovens deve-se ao que Aristóteles chamou de “Mimesis”. De acordo com o filósofo grego, a mimesis é a faculdade humana que permite a imitação, e através desta as pessoas aprendem. Sendo assim, naturalmente os indivíduos tendem a reproduzir os comportamentos daqueles os quais admiram e, no caso dos influenciadores digitais, esse poder é intensificado, uma vez que eles não se configuram como os famosos inalcançáveis da televisão, mas ilustram uma sensação de proximidade e identificação com o seu público, o que concede mais credibilidade às suas opiniões.
Contudo, essa persuasão pode levar à alienação dos seguidores à medida em que estes passem a aceitar todos os posicionamentos de seus influenciadores sem filtro crítico, semelhantemente ao retratado por Platão na “Alegoria da Caverna”, que narra a história de pessoas que viviam acorrentadas em uma caverna de frente para uma parede, sendo as sombras do mundo exterior que ali se projetavam tudo que elas podiam ver, crendo, assim, que aquele era o mundo real. De maneira análoga, quando um indivíduo abre mão da sua autonomia e do seu direito de discordar, ele escolhe viver acorrentado na caverna, na qual as sombras das interpretações alheias são tidas como realidade.
Destarte, é necessário que os jovens sejam conscientizados e orientados para construção do próprio senso crítico, o qual não nega o diálogo de opiniões, mas impede que estas sejam aceitas sem reflexão. Para isso, o Ministério da Educação deveria promover campanhas por meio de palestras, as quais seriam apresentadas nas escolas brasileiras para as turmas do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, e contariam com a participação de professores de Filosofia e Sociologia, que aconselhariam os discentes a ouvirem os pensamentos dos influenciadores digitais que seguem, porém sem permitir que a fonte das opiniões seja o fator determinante para que eles concordem ou discordem de algo, destacando o perigo que há nesse tipo de situação. Dessa forma, seriam formados jovens mais autônomos, capacitados para tomarem suas decisões e viverem dialeticamente os problemas.