O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 10/04/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, Thomas More retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos, resultando na plena felicidade de seus moradores. Longe da ficção, a perfeição utópica vista na obra, assemelha-se ao objetivo dos influenciadores digitais no que concerne à exposição pública. Nesse sentido, o parecer antes mesmo de ser, reproduz estigmas na sociedade que corroboram com inúmeras mazelas psíquicas para o restante de uma população supostamente fora do padrão.De forma análoga, devemos entender a superficialidade cotidiana exposta nas redes sociais, bem como o nocivo resultado dessa perspectiva nas relações, torna-se necessário para a dissolução dessa problemática contemporânea.
Mormente, urge compreender essa falsa noção de plenitude mostrada na redes sociais. De acordo com pensador Émilie Durkheim,o fato social coage e impele os indivíduos a agirem de acordo com um padrão dominante ou almejado. Analogamente, os influenciadores digitais expõem o melhor carro ou a melhor viagem sem mostrar as parcelas do boleto por trás carro ou as horas de atraso do vôo, caracterizam, como exemplo, a sociedade moderna na qual o indivíduo é alienado a sempre mostrar felicidade, mesmo que na prática seja uma mentira. Com efeito, essa superficialização dos perfis onlines repercute em uma competição entre os internautas, estabelecendo uma nova “luta de classes”, aludindo às obras de Karl Marx, no mundo capitalista.
Outrossim, os jovens estabelecem uma relação de corpo dócil com os influenciadores digitais e a mídia, onde se faz na união destas duas características: utilidade em termos econômicos e docilidade em termos de obediência política. A fórmula é simples: o corpo dócil é tão obediente quanto produtivo.O corpo se tornou alvo do poder, descobriu-se que ele podia ser moldado, rearranjado, treinado e submetido para se tornar ao mesmo tempo tão útil quanto sujeitado.Tornando os jovens seres passivos e acríticos em tomar decisões pessoais.
Portanto,são necessárias medidas estruturais imprescindíveis para a desvirtualização desse processo pandêmico e egoísta. O Ministério da Educação pode intervir por meio da escola, principal socializadora secundária.Com a distribuição de verbas entre a união e municípios para a contratação de profissionais, pedagogos e psicólogos devem ser usados em debates e palestras em instituições de ensino, com o fito de discutir com os jovens sobre a realidade conflitante que permeia as redes digitais. Com isso, os menores e futuros cidadãos poderão alimentar um senso mais crítico.
Por tanto, é necessário que influenciadores de criem um propósito em prol da evolução da sociedade, aproveitando sua influência para se fazer o bem, em vez de só pensar apenas no lucro. Eles podem fazer através da escolha consciente de produtos e marcas acessíveis para todos os públicos, abordando questões globais importantes em seus posts ou mostrando modos de vida alternativo