O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 14/04/2020
Escola e família. Para a Lei de Diretrizes e Bases, esses são os pilares que devem promover a educação de jovens. Entretanto, mediante os avanços da tecnologia, um novo agente tem desenvolvido papel importante nos processos formativos desse público: os influenciadores digitais, cujos conteúdos produzidos são largamente acompanhados pelos adolescentes. Nesse sentido, tal prática contribui para o surgimento de uma felicidade utópica e de “bolhas de ideias”, fatores que impactam na formação juvenil.
A princípio, observa-se que o ideal de felicidade atrelado ao consumo - propagado pelos produtores de conteúdo - forma uma massa púbere acrítica. Quanto a isso, o filósofo Zygmund Bauman afirma que, na sociedade atual, a aquisição de bens é um “elemento primordial” na construção das personalidade. Dessa forma, quando “youtubers” utilizam a internet para associar seu bem-estar a posse de riquezas, fomentam um ideal de vida baseado na ideia de que o “ter” é mais importante do que o “ser”. Tal fenômeno é capaz de influenciar uma grande parcela de jovens, que passam a acreditar que a felicidade é alcançada mediante a compra, sem que, para isso, seja necessária uma reflexão individual.
Outrossim, a existência de mecanismos virtuais que direcionam o usuário para conteúdos semelhantes a partir de informações sobre o que é acessado por ele acarreta a formação de “bolhas de ideias”. Para o pedagogo Paulo Freire, um processo formativo eficiente é aquele que possibilita o convívio dos indivíduos com ideologias diversas. No caso das “bolhas”, esse contato é potencialmente reduzido, uma vez que o jovem tende a permanecer envolto no microuniverso daqueles que compartilham os mesmos ideais do influenciador.
Evidencia-se, portanto, que as repercussões do acesso de jovens ao conteúdo produzido por influenciadores na internet é uma problemática latente. Para minimizá-la, os centros educacionais devem incentivar a reflexão crítica de seus discentes acerca dos conteúdos com os quais estão em contato na rede. Isso pode ser realizado por meio de aulas temáticas, nas quais professores, alunos e psicopedagogos poderão discutir sobre temas como a dicotomia entre bem-estar e consumo acrítico - propagado nas redes sociais -, a fim de incentivá-los ao julgamento mais criterioso. Além disso, cabe à família potencializar o processo de formação de opinião iniciado com o acesso à videos e textos. Para isso, os pais devem realizar debates com o adolescente sobre assuntos pertinentes à sua formação, incentivando-o a emitir sua opinião. Espera-se, assim, que a ação conjunta dos três agentes da formação da juventude hodierna possam produzir impactos positivos.