O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
O filme “Modo Avião”, produzido pela Netflix, retrata inúmeros momentos da vida de uma influenciadora digital e, entre eles, como as suas atitudes influenciam os seus seguidores. Fora da ficção, os jovens brasileiros são constantemente persuadidos pelos “influencers”, cujos impactos são diversos, nos quais destacam-se a questão da construção de uma identidade pessoal e a incitação da “cultura do consumo”.
Em primeiro lugar, é relevante compreender que os jovens estão passando por uma fase de formação pessoal, portanto, são mais facilmente sugestionáveis pelo meio em que estão inseridos. Segundo o sociólogo prussiano Karl Marx, a alienação é um processo de transferência da consciência individual para uma realidade externa a pessoa. Nessa lógica, os indivíduos, principalmente os mais novos, acabam incorporando como sendo algo da sua personalidade ou do seu interesse, aquilo que é divulgado pela figura do influenciador digital sem uma análise critica desse conteúdo. Esse cenário demonstra a fragilidade do jovem, que acaba sendo moldado não pela sua vivencia pessoal, mas pelo interesse de terceiros.
Em segundo lugar, é pertinente verificar que as ações dos “influencers” podem promover uma cultura consumista nos jovens. Na visão de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade vive uma “liquidez” no estilo de vida, nas crenças e nas convicções, isto é, mudam antes que tenham tempo de se solidificarem em costumes e em verdades pessoais. Entre os jovens, esse contexto é ainda mais marcante, visto que é uma característica dessa idade as constantes mudanças na busca pela sua formação. No entanto, esses indivíduos acabam sendo persuadidos pelos influenciadores digitais, por meio de suas publicações, a comprar bens de consumo, a almejar determinadas viagens ou produtos que, na sua grande maioria, o jovem não precisa ou não tem a consciência se realmente quer ter aquele produto para ele.
Logo, torna-se evidente a complexidade as ações dos influenciadores sobre a formações dos jovens. Assim, cabe ao Governo criar leis que regulamentem o trabalho dos “influencers”; nessa legislação deve conter itens que torne obrigatório a indicação de que um determinado conteúdo trata-se de uma propaganda e que elas sejam elaboradas de acordo com a faixa etária do público-alvo, cuja finalidade dessas medidas é evitar que os jovens recebam conteúdos inapropriados. Ademais, os Centros Educacionais devem fornecer componentes extracurriculares que atuem na formação do individuo, mediante disciplinas que abordem temas como educação financeira e consumo responsável; tendo como finalidade a construção de jovens críticos e conscientes a cerca das informações que recebem.