O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
Segundo Zygmund Bauman, filósofo polonês, a sociedade pós-moderna é caracterizada por viver tempos líquidos, na qual há fluidez nas relações sociais e nada é feito para durar. Consonante ao pensamento de Bauman, os jovens, imersos na era digital, são diretamente impactados por influenciadores digitais, que moldam comportamentos, atitudes e o consumo. Desse modo, faz-se pertinente analisar a responsabilidade dos “influencers” na sociedade e como eles podem impactar a formação dos jovens.
Em primeiro plano, cabe analisar que o influenciador digital é um formador de opinião, logo, seu papel é direcionar os pensamentos e os hábitos dos seus seguidores. Entretanto, é necessário perceber que essa profissão atua em detrimento de interesses próprios, é patrocinada por empresas e ligada ao consumo desenfreado. De acordo com pesquisa da Youpix (plataforma digital focada em discutir a cultura da internet), 48% dos jovens já fecharam compras levando em consideração a opinião de criadores de conteúdo. É imprescindível notar, que ao invés de incentivar o consumo consciente ou contribuir para questões globais importantes, a maioria dos influencers promove um desserviço à sociedade, não só pregam o consumo exacerbado, como também constroem um falso padrão de aceitação social, baseado no consumo de determinado produto.
Outrossim, ao incentivar uma cultura baseada no ter e não no ser, o influenciador digital, traz diversos aspectos negativos na formação dos jovens. Desse modo, o indivíduo pode não se identificar com um padrão aceitável pelas redes sociais, não ter recursos para consumir determinado produto ou não se adaptar à constante velocidade das informações no meio virtual, tal fato, pode afetar seriamente a sua saúde mental, ocasionando, por exemplo, bulimia, ansiedade e até depressão.
De acordo com os fatos supracitados, é evidente a necessidade de conscientizar os jovens a respeito do uso excessivo de redes sociais, assim como a filtragem do conteúdo de influenciadores digitais. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, elaborar campanhas através do rádio, da televisão e da internet, para alertar os jovens e incentivar o uso consciente das redes sociais. Cabe também aos pais, dialogar com os filhos, a respeito da filtragem de informações na internet, além incentivar o seu uso moderado nos momentos de lazer. Desse modo, será possível contribuir evitar o uso nocivo das redes sociais, além de instruir a filtragem consciente das informações vindas do meio digital, e com isso melhorar a formação dos jovens.