O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 12/04/2020

Segundo o sociólogo espanhol Manuel Castells, o advento da “Era da informação” significou uma mudança nas relações de poder, o que se entende como novas formas de influência sobre os indivíduos. Sabendo disso, é perceptível que há uma crescente popularização das redes sociais e seus criadores de conteúdo, os chamados influenciadores digitais, tem cada vez mais um papel de impacto na formação dos jovens. Com isso, sabe-se que a internet pode trazer benefícios e gerar aprendizado e entretenimento, se bem utilizada. Porém, demanda, especialmente da juventude, responsabilidade, pois pode fomentar a propagação de problemas sociais, a criação de bolhas e um “efeito manada”.

Em primeira análise, é preciso entender que a internet e os criadores que a usam como meio de propagar seus conteúdos, podem ser benéficos para uma democratização do acesso à informação, cultura, arte e entretenimento. Segundo o site de notícias “g1”, o brasileiro passa em média 9 horas online, e, em grande parte desse tempo, consumindo vídeos, textos e ideias dos influenciadores,  sendo inegável, portanto, a importância que os mesmos tem para a formação, principalmente dos jovens, podendo gerar uma “libertação” dos preconceitos que são perpetuados nos locais onde vivem.

Em segunda análise, faz-se necessário analisar que a navegação nos meios virtuais sem reflexão pode trazer diversos danos, além de um “comportamento de rebanho”. Segundo o filósofo italiano Umberto Eco, a internet originou uma “legião de imbecis” e facilitou a ascendência de ideias autoritárias, isso mostra que, apesar dos benefícios trazidos pela “Era da informação”, a falta de senso crítico nas internautas, sendo grande parte jovens inexperientes, ocasionou a formação de “bolhas” de pensamento, em que os algorítimos geram um ciclo vicioso e unilateral de informação, dando o poder aos influenciadores de gerar uma espécie de “efeito manada”, que consiste na assimilação em massa de informação sem reflexão, o que gera pessoas acríticas, intolerantes e de fácil manipulação.

Portanto, é necessário entender os impactos que os influenciadores digitais podem causar, principalmente na juventude. Para isso, faz necessário que o Ministério dos Direitos Humanos promova palestras com a presença de pedagogos e dos próprios criadores de conteúdo, em que deve haver uma conscientização dessas personalidades digitais sobre a sua responsabilidade e um reforço na importância dos pais acompanharem ao que seus filhos vêem, visando a construção de um meio virtual mais saudável. Em paralelo, faz imprescindível que os centros educacionais instruam os educadores - principalmente de sociologia, devido o conhecimento prévio do assunto - a conscientizarem, por meio de aulas focadas e debates, os jovens a criarem um senso questionador, refletindo sobre o que consomem, com objetivo de diminuir a “acritização” e, assim, furar as “bolhas” de pensamento.