O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/04/2020
O filósofo e teórico em comunicação, Marshall McLuhan, defendeu que a tecnologia é a maior invenção depois da roda e, assim como a última, “pode até nos facilitar o destino, mas não nos aponta o caminho”. No cenário contemporâneo do mundo virtual, surgiram as figuras dos “digital influencers”, os quais, diferentemente do projetado por McLuhan, buscam apontar o caminho e ditar mil outras tendências ao contingente de jovens que os seguem. A partir desse contexto, analisar os impactos de tais influenciadores na formação dos jovens é mais que necessário.
É inegável que as mídias sociais possuem um grande papel relacionado à autoestima e saúde mental dos adolescentes. Isso ocorre porque o ambiente virtual é muitas vezes uma mera edição da realidade, onde há a tendência de expor apenas situações positivas, bonitas, legais ou ligadas ao sucesso. O jovem passa a se comparar com os aparentemente perfeitos influenciadores e, consequentemente, entra num processo de autojulgamento, gerando cada vez mais estresse e ansiedade nessa busca por atender a um perfeccionismo inexistente. Prova disso é o estudo realizado pela Universidade Federal do Espírito Santo, o qual mostra que o índice de ansiedade é o dobro nos jovens entrevistados que usam as redes sociais, quando comparados aos que não usam
Ao tomar como base o pensamento do escritor e jornalista George Orwell, segundo o qual “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, nota-se que os influenciadores digitais são responsáveis pelo aumento e perpetuação do consumismo entre os jovens. Dessa forma, os adolescentes, inseridos num contexto em que estão cada vez mais insatisfeitos consigo, se tornam o principal alvo do marketing da influência digital, na qual é preciso sempre ter a roupa, o acessório ou o eletrônico do momento. Tal conjuntura já estava presente nos debates acerca da indústria cultural, conceituada por Adorno e Horkheimer no século XX, dentro da qual os indivíduos são tratados como massa e são tolhidos de sua individualidade através do consumo.
É imprescindível, portanto, a adoção de ações que visam a atenuar os impactos negativos ocasionados pelos “digital influencers” nos jovens contemporâneos. Para tanto, cabe à Secretaria de Publicidade e Promoção, por tratar das propagandas direcionadas à população, associada ao CONARC (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), regulamentar o marketing abusivo nas mídias sociais. Isso deve ser viabilizado por meio de uma lei que restrinja o número de publicidades postadas por perfis de amplo alcance nas redes, a fim de que os jovens sejam menos bombardeados com os discursos que cultivam o consumo exacerbado e “desindividualizante”. Dessa forma, a segunda maior invenção da humanidade, a tecnologia, permitirá cada vez mais uma melhor formação dos jovens.