O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 17/04/2020

Segundo o Ibope, cerca de 52% dos internautas brasileiros seguem influenciadores digitais em redes sociais, sendo a maioria dos navegadores compostos por jovens. O dado mostra o quanto essa faixa etária é submetida a um bombardeamento de informações sobre como se portar diante de várias situações, isso tudo feito por aquelas pessoas ditas “influencers”. O fato é que o público em questão está começando a fase de formação do ser agora e, com a interferência dos criadores de conteúdos virtuais, essa construção pode sofrer o impacto diretamente na composição da personalidade do indivíduo assim como o consumo exagerado de mercadorias.

Os influenciadores digitais, muitas vezes, são pagos por falarem de certos assuntos. No livro “A Sociedade do Espetáculo”, o escritor Debord aborda o fato do capitalismo mercantilizar imagens, o que acontece com os criadores de conteúdos virtuais. Isso afeta diretamente o público juvenil, pois esse grupo está passando por uma fase de construção da personalidade. Os jovens procuram identificação com o mundo afora para terem o sentimento de pertencimento, o que leva muitos deles a seguirem “influencers” e acompanharem suas dicas para que possam sentir um acolhimento. O problema é que, com essa visão mascarada das pessoas que tem o “poder” de influenciar, os juvenis acabam acreditando cegamente no que esses indivíduos falam e filtrando essas informações como verdadeiras, tomando para si, fazendo com que parte de sua personalidade seja incorporada a essas “referências” duvidosas.

Além disso, os “influencers” fazem diversas divulgações diárias sobre produtos, o que traz a questão da aquisição exacerbada à tona. O filósofo Bauman dizia que o mundo contemporâneo é composto por uma sociedade do consumo na qual o ter torna-se mais importante do que o ser. Esse pensamento é válido pois, como os jovens querem fazer parte de um grupo, talvez na compra de algum aparelho, esse aceitamento possa fazer-se mais fácil. O caso é que esse comportamento de compra acaba trazendo uma certa sensação de sempre precisar de mais e do melhor ao público juvenil que, no futuro, pode se transformar em algo maior, como adultos com fome de poder e egoístas.

Por fim, é evidente o impacto perigoso que os jovens sofrem ao seguirem influenciadores digitais, seja pelas divulgações para o consumo como também pela interferência na construção da personalidade dos indivíduos. Cabem às instituições educacionais e a família conscientizar o público juvenil por meio de palestras e diálogo, respectivamente, para que esse grupo possa ter conhecimento sobre o risco que é acreditar em “influencers” já que eles podem ser manipuladores e acabarem prejudicando a construção do ser dos juvenis.