O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
Desde o século XX, filósofos da Escola de Frankfurt já expressavam uma crítica à razão controladora industrial que influencia decisões e massifica o pensamento. Na atual sociedade, essa concepção se encontra ainda mais consolidada com as inovações tecnológicas e as novas dinâmicas midiáticas que se utilizam de influenciadores digitais para vender um produto. Nesse contexto, jovens são induzidos a comprar algo para serem incuídos no meio social, negando, assim, suas próprias identidades e contribuindo para uma padronização do pensamento.
Inicialmente, cabe a análise do pensamento mercantil por trás da propaganda em influenciadores digitais e seu impacto sobre a criticidade do indivíduo. Segundo a filósofa Marilena Chauí, a mídia é perpassada por interesses econômicos e utiliza de formas sedutoras para atingir seu objetivo de lucro. Nesse sentido, ela usa o apelo à intimidade e à personalidade encontrados em famosos do meio digital para chegar até o consumidor. Essa via, também, é alicerçada no entretenimento proporcionado por essas figuras, de modo que o indivíduo recebe a informação sem maiores questionamentos e, consequentemente, é alienado. Em suma, há um enfraquecimento do poder argumentativo do espectador e a influência de determinados comportamentos.
Ademais, essa indução do pensamento traduz-se em uma necessidade de inclusão social por intermédio de adesão a marcas e produtos. Tal situação é explicada pelo sociólogo Émile Durkheim quando afirma que um Fato Social atua como fator coercitivo, determinando formas de agir, e assim, os jovens são naturalmente condicionados a comprar objetos devido a propagandas dos influenciadores digitais, o que é comprovado por pesquisa da Youpix, em que 48% dos jovens compram graças a impressões de criadores de conteúdo. Em virtude desse comportamento, o indivíduo perde a sua própria identidade e personalidade a fim de obter uma aceitação social. Logo, esses fatores sociais mercantis levam o jovem a ser influenciado e, posteriormente, a ter uma conduta padronizada.
Tendo em vista os fatos citados, é necessário que o Ministério da Educação insira nas aulas de filosofia e sociologia debates sobre a influência de personalidades famosas e deve utilizar-se de canais de “youtubers”, a fim de estabelecer referências e construir um processo mais lúdico e, assim, viabilizar a conscientização dos jovens. Além disso, as plataformas virtuais devem classificar os conteúdos em vídeos com presença ou não de propagandas, por meio de mensagens com alertas, a fim de distinguir o conteúdo, para que dessa forma seja possível diminuir a alienação, bem como o aspecto controlador da indústria midiática.