O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 16/04/2020
No livro “1808”, o escritor Laurentino Gomes narra o episódio da chegada da corte real portuguesa ao Brasil, no qual uma infestação de piolho fez com que as filhas de dom João VI raspassem as cabeças. Após a chegada das princesas ao país as mulheres da época acharam que se tratava da última moda européia e as imitaram. De forma semelhante, observa-se que os “digital influencers” têm o poder de influenciar comportamentos. Tal relação pode ter impactos positivos, sem representar danos a saúde, mas também pode ser prejudicial a ponto de alimentar um desejo consumista. Em primeira análise, é válido ressaltar um estudo feito pelo site Youpix no qual afirma que 64% dos jovens de 18 a 34 anos já usaram influenciadores digitais como uma fonte para conhecer uma marca ou produto. Nesse sentido, é observado que tem se tornado cada vez mais comum as pessoas comprarem de acordo com a opinião ou a publicidade de determinado influenciador. Porém, tal relação pode ser prejudicial, pois pode alimentar um desejo consumista no qual uma pessoa compre irracionalmente tudo que um “influencers” divulgue. Isso não só pode causar danos financeiros graves, como também pode impactar na saúde psicológica e emocional destas pessoas. Dessa maneira, é necessário uma base educacional sólida na formação de jovens para que se tenha uma sociedade mais crítica em relação Às novas formas de comércio. Em segunda análise, o filosofo Umberto eco diz que “as mídias sociais deram o direito à fala a uma legião de imbecis”. No entanto, há também um lado positivo na existência de influenciadores digitais, principalmente na formação de jovens. Um exemplo disso é a grande quantidade de profissionais da educação que aproveitam o espaço das redes sociais para debater temas importantes da atualidade, como a antropóloga e historiadora Lilia schwarcz, que muito comenta sobre a política brasileira. Além disso, há aqueles professores que aproveitam o espaço digital indicar livros e lecionar de modo gratuito para jovens que desejam ingressar em universidades. Visto isso, fica claro que haver “digital influencers” é algo positivo, desde que seja com responsabilidade social. Portanto, é necessário uma base educacional sólida para que os jovens não sejam facilmente “manipulados” por influenciadores digitais. Para tanto, o Ministério da educação deve criar a disciplina “estudos econômicos”, no qual ensine aos jovens boas formas de gerenciar bem seu dinheiro para que não seja alimentado neles um desejo consumista que os prejudiquem. Ademais, o governo brasileiro pode, ainda, investir em profissionais de educação por meio de incentivos financeiros para promovelos e incentivar a educação brasileira. Assim, as pessoas não irão ser tão acríticos como as mulheres que imitaram as filhas de dom João VI.