O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 12/04/2020
A distopia Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, retrata um universo em que as atividades que estimulam o pensamento crítico são desencorajadas com, por exemplo, a exibição de novelas interativas que permitem a participação do telespectador em diálogos fúteis e desviam, assim, a atenção de questões mais urgentes. Apesar de se tratar de uma ficção, a realidade atual é bem próxima do que foi escrito por Bradbury, visto que os influenciadores digitais, ao produzirem conteúdos com fins lucrativos, reduzem os jovens a um estado de passividade, tal como ocorria na obra literária. Essa conjuntura, portanto, propicia a formação de indivíduos consumistas e os tornam vulneráveis a doenças psíquicas.
A priori, o sociólogo alemão, do século XIX, Karl Marx afirma que foi produzido um fetiche sobre a mercadoria, em que os indivíduos só conseguiriam obter felicidade com a compra do produto. Hodiernamente, esse processo obtém auxílio dos influenciadores digitais, que, por meio do patrocínio de grandes empresas, transmitem o prazer de adquirir objetos para os jovens, de modo que eles encarem aquilo como indispensável para seu bem-estar. Assim, ao invés de direcionar o entusiamo, característico da faixa etária, para causas como sustentabilidade e consumo consciente, muitos desses profissionais propiciam a formação de pessoas que supervalorizam dos bens materiais.
Em segunda análise, os influenciadores virtuais podem promover o aumento de quadros clínicos, como a ansiedade, na juventude. Isso porque, a profunda e constante exposição apenas de aspectos positivos da vida, induz o jovem a se comparar com uma realidade ideal que não existe na prática e, por conseguinte, se frustrar por não conseguir alcançá-la. Essa conjuntura ratifica o que é dito no livro Sociedade da Transparência, no qual o filósofo contemporâneo Byung-Chul Han, ao analisar o vínculo entre distúrbios psiquiátricos e a internet, percebeu que o meio virtual atua como uma vitrine social, que propaga a necessidade de obter êxito em todos os âmbitos da vida. Logo, os indivíduos que não acompanham essa dinâmica tendem a se tornarem depressivos. Dessa forma, os influenciadores, como protagonistas dessa vitrine, acentuam ainda mais a presença de doenças mentais.
Portanto, a fim de amenizar os impactos negativos da ação dos influenciadores digitais, é imperiosa a proteção dos jovens pelo Ministério da Educação. Isso pode ocorrer com a inclusão, na Base Comum Curricular, de um matéria, que seja ministrada por psicopedagogos com a função de alertar esse público sobre a manipulação implícita de seu comportamento por esses profissionais, para que os discentes possam assumir uma postura crítica diante do apelo ao consumo, assim como ensinar o cultivo à inteligência emocional na internet. Dessa maneira, será possível que a sociedade caminhe na direção oposta da distopia de Bradbury.