O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 10/04/2020
Um homem com um corpo agigantado e a cabeça diminuta. Essa é a imagem presente na tela Abaporu da pintora Tarsila do Amaral. Na construção desse personagem modernista, vê-se a intenção de expor a ausência de pensamento crítico do brasileiro do século XX, deficiência essa responsável por gerar um comodismo social. No entanto, esse déficit perdura até os dias atuais desencadeando posturas resignadas frente a problemas, como o impacto dos influenciadores digitais no Brasil. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não promover uma diminuição da influência digital. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar a população, por meio das escolas, sobre a coerção que o meio digital pode ter sobre as suas escolhas e ações, o que prejudica o direito à liberdade do indivíduo. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente aos influenciadores digitais apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao financiamento de influencers de maneira estratégica para a disseminação de bons hábitos, como exemplo disso os modos de reutilização de materiais descartados. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neuman para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que a influência digital deve ser bem utilizada. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização nas escolas, de modo a ativar a criticidade desde a adolescência, para a percepção da coerção nos meios digitais. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, sobre a necessidade de haver uma maior engajamento coletivo para a quebra do silêncio em defesa do financiamento dos influencers para o bem. Desse modo, a falta de senso crítico e o comodismo social poderiam ficar restritos ao Abaporu da pintora Tarsila do Amaral.