O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 11/04/2020
Com o advento da revolução tecno-científica, em meados do século XX, os meios de comunicações virtuais tornaram-se os principais mecanismos de difusão de informações. Hodiernamente, é comum, por grande parte dos jovens, o uso da internet para obtenção de conhecimento a cerca do mundo e até mesmo curiosidades pessoais. É sob esse viés que um novo grupo, denominado influenciadores digitais, tem exercido forte impacto na formação dessa faixa etária, uma vez que possuem o “poder” de formar opiniões, além de padronizar consumos.
Em primeira análise, vale ressaltar que a mídia, segundo o educador Mario Sérgio Cortella, age como “corpo docente” na sociedade, ou seja, também é um mecanismo de formação. Dessa forma, o conteúdo a ser repassado no ambiente virtual deve ser minunciosamente pensado, uma vez que trará impactos na vida dos telespectadores, os quais são, em sua maioria, jovens. É sob esse viés que uma nova classe virtual vem ascendendo, denominada de “influenciadores digitais” (também chamados de blogueiros), os quais tem exercido forte impacto na formação de opiniões entre as menores faixas etárias, as quais buscam se espelhar nos comportamentos e conteúdos repassados por esse grupo.
Em segunda análise, a “indústria cultural”, termo designado pelos filósofos Adorno e Horkheimer para a ideologia dominante repassada pelos meios de comunicação, tem vislumbrado-se destes influenciadores digitais, ativo construtor do espaço virtual, para criar uma maior rede de consumo. Isso porque é mais fácil tirar proveito de alguém que fala diretamente com seus fãs para gerar um superaquecimento em campanhas e propagandas de produtos, criando um interesse massificado de consumo entre os jovens. Tal cenário fomenta a padronização de gostos e a criação de uma cultura de convergência, em que os influenciados buscam usufruir do mesmo que seus influentes.
À luz dessas constatações acerca do impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens, cabe, portanto, a mídia, como “corpo docente”, junto ao Ministério da Educação criar conteúdos socioeducativos. Isso por intermédio de profissionais na área da educação e blogueiros que façam debates sobre o campo político, biológico, cultural e dos mais variados assuntos, com uma linguagem popular, para que sejam transmitidos nos meios virtuais. Ademais, o mercado brasileiro de publicidade em parceria com o Estado devem criar políticas mais rígidas sobre o uso do poder influenciador desses criadores do espaço virtual e dos produtos que estão sendo divulgados, para que o interesse comercial não restrinja a liberdade do consumidor, criando uma massa de consumo. Para tanto, deve-se mostrar a pluralidade dos bens e produtos, bem como conscientizar sobre a consumação desenfreada, para que assim diminua-se futuros impactos negativos entre os jovens.