O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens
Enviada em 17/04/2020
A série americana “Black Mirror” retrata, em um de seus episódios, uma sociedade medidas através de parâmetros cibernéticos, nessa ficção os personagens são classificados por meio do nivelamento de estrelas de acordo com sua aprovação virtual.Saindo da ficção, o advento da internet proporcionou a aproximação de jovens com a categoria de “influencers” que são pessoas responsáveis por convencer seus seguidores sob determinado ponto de vista de maneira a moldar condutas. Sob esse viés, os influenciadores digitais capazes de direcionar ações individuais geram impactos a formação dos jovens ao romper com valores sociais.
A priori, o mundo virtual desenvolveu mecanismos de influência que funcionam como transmissores de opiniões similares responsáveis por induzir indivíduos a seguir certo padrão. Nessa perspectiva, os jovens são rodeados de modelos a serem seguidos e se tornam alienados pela intensa propagação -pelas redes sociais- dos ideais de felicidade e aceitação social atrelados a ideia de possuir algo.Assim, há uma reafirmação de estereotípos e valorização do “ter” em detrimento do “ser” pelos influencers, já que, impõem uma coercitividade sustentada no ideal de aprovação ao seguimento de seus protótipos. Esse fato pode ser ratificado pelo filósofo Pierre Bourdie e seu conceito de “Habitus” caracterizado como um conjunto de predisposições para o agir que é definido pelo meio social ao qual o indivíduo está dentro, desse modo, os mecanismos de influência podem ser comparados a esse “meio social” pois agem na formação intelectual dos jovens.
Em uma segunda análise, os influenciadores digitais ao definir padrões criam “bolhas sociais” na qual as pessoas tendem a agir e pensar de formas iguais, sendo assim, seus valores são limitados e há a formação de jovens alienados e sem criticidade. Esse realidade é discutida pelo sociólogo Zygmunt Bauman que fala sobre uma “modernidade líquida” a qual as identidades são redefinidas constantemente de acordo com a necessidade de alterar os estereótipos para satisfazer os interesses do mercado ou dos poderosos “influencers”, assim a não adaptação de algum indivíduo a essas identidades transitórias e inconstantes, fazem com que eles sejam reprovados e reprimidos do meio social e, como consequência , há o desenvolvimento de doenças psicologicas, por exemplo, ansiedade
Portanto, os “moldes digitais” causam prejuízos a formação de bons cidadãos para que seja alcançado o bem-estar social. Contudo, as instituições de ensino- como uma das principais educadoras- deve tornar obrigatória a abordagem sobre a internet e seus mecanismos de controle e influência nas aulas de sociologia e filosofia, a fim de formar cidadãos mais críticos que possam entender e desmistificar esses mecanismos, tornando-os pessoas mais conscientes.