O impacto dos influenciadores digitais na formação dos jovens

Enviada em 16/04/2020

A revolução técnico científica mudou completamente as formas de comunicação e de acesso a informações com o artifício da internet. Essas novidades desencadearam, dentre outras coisas, a criação de novas profissões conhecidas como influenciadoras digitais que impactaram na formação de caráter e na saúde mental, principalmente dos jovens.

Primeiramente, é válido evidenciar que, segundo o sociólogo Bauman, vivemos em uma sociedade com relações interpessoais mais dinâmicas e frágeis devido a lógica capitalista de consumo, a qual aumenta a jornada de trabalho, consequentemente, reduz o tempo de interação com os próximos. Essa realidade, comparado pelo pensador ao estado liquefeito das substâncias, acarreta na terceirização inconsciente dos pais da educação de seus filhos, que aprendem com influenciadores digitais informações que moldam o caráter. Dessa forma, tal deficiência na participação parental na educação dos jovens, quando associada ao uso de algoritmos para disposição de conteúdo de acordo com os gostos do usuário por plataformas, como o YouTube e a Netflix, limita o conhecimento de mundo do público-alvo em detrimento da carência na disponibilidade de opiniões divergentes. Assim, se forma um ciclo vicioso que torna a parcela populacional em questão ignorante, tal como reclusa, ou seja, a sensação de pertencimento é fragmentada em grupos de semelhantes e facilmente alienáveis.   Outrossim, o padrão estético e estilo de vida perfeitos baseados em interesses consumistas veiculados por alguns influenciadores digitais brasileiros em seus perfis desconsidera a diversidade étnica expressa nas diferentes características físicas, socioeconômica e cultural. Nessa linha de raciocínio, a realidade supracitada afeta a autoestima dos usuários, em especial o público jovem, e a medida que eles se sentem incapazes de se adaptar ao que o capitalismo informacional define como modelo perfeito a saúde mental bem como física.A realidade supracitada gera distúrbios como a anorexia e a bulimia, além de distorcer as matrizes histórico-culturais do público alvo acarretando em aculturação. Isso é exemplificado nas críticas feitas pelo pensador Marx Weber em a indústria cultural ou em obras como 1984 que expõem o controle do pensamento individual pelos meios de comunicação.

Portanto, é necessário que o Estado em parceria com Organizações não governamentais desenvolvam e disseminem uma campanha que utilize comerciais e palestras com profissionais da educação, da saúde, assim como relatos das pessoas voluntarias que sofreram de distúrbios e psicólogos.Isso, com intuito de comover os pais dos perigos da terceirização da formação dos filhos e em cobrar das empresas digitais o aprimoramento de seus algoritmos, além de disponibilizar mais auxílio médico gratuito nas escolas  para amenizar os impactos na formação dos jovens pelos influenciadores digitais.